Fotografia de um projeto colombiano do Cirec para reabilitação psicossocial de vítimas de minas pelo mergulho.
Como marco do importante dia de ontem, aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos, publico aqui um post escrito pelo Gustavo Oliveira Vieira, professor da graduação em Direito na UNISINOS e doutorando do PPGD, em seu blog (http://direitoconstitucionalinternacional.blogspot.com/) (ZK - 11/12/2009).
Estou postando este texto em homenagem a Rosangela Berman Bieler, do Instituto Interamericano sobre Discapacidad y Desarrollo Inclusivo, que tem uma heróica trajetória reconhecida este ano com o recebimento do Prêmio de direitos humanos da Secretaria Nacional. Este texto escrevemos a quatro mãos, eu e ela, há exatamente uma semana, em Cartagena.
Cartagena sediou na semana entre 28 de novembro e 4 de dezembro a 2ª Conferência de Exame da Convenção de Ottawa sobre a erradicação das minas terrestres. O dia 3 de dezembro de 2009 celebrou os 12 anos da Convenção de Ottawa e 1º ano da Convenção de Oslo, que também é o Dia Internacional das Pessoas com Deficiência. Três temas eminentemente ligados. E o dia 10 de dezembro é o dia dos Direitos Humanos, aniversário de 61 anos da Declaração Universal. Muito a comemorar?
As minas terrestres antipessoal utilizadas ao longo de várias década no século XX deixaram um legado de morte e sofrimento tanto durante quanto muito tempo após os conflitos armados. Estima-se que existam entre 300 e 400 mil sobreviventes de acidentes com minas em aproximadamente 100 países. Diariamente estima-se que ocorram mais de 20 acidentes com minas antipessoal, fazendo com que as pessoas percam suas pernas, braços, a visão, etc. E, durante anos, o Brasil produziu e exportou minas terrestres antipessoal a vários países.
A Convenção de Ottawa foi aberta para assinaturas em 1997, prevendo a proibição do uso, armazenamento, comércio, produção e a destruição dos estoques, além de estabelecer a responsabilidade pela assistência às vítimas.
Hoje são 156 Estados partes deste tratado, incluindo o Brasil.
Outro armamento que pode funcionar como mina terrestre são as munições cluster (bombas de fragmentação). São bombas, como uma espécie de contêiner, que se abrem no ar e dispersam dezenas ou centenas de submunições, tipo granadas, que devem explodir ao tocar o solo ou o alvo. Mas imprecisão e as taxas de falha são altíssimas. Laos sofreu, entre os anos 60 e 70, ataques com 270 milhões de submunições cluster, estimando-se que 30% tenham falhado. Em 2006, Israel jogou sob o sul do Líbano 4 milhões de submunições, e um milhão aproximadamente falhou (Comitê Internacional da Cruz Vermelha ). Estas submunições são sérias ameaças à sobrevivência e integridade física das pessoas, que ficam mutiladas e/ou adquirem deficiências permanentes. O Brasil produz, exporta e armazena estas armas.
Um tratado internacional foi aberto para assinaturas no ano passado para erradicar as munições cluster (Convenção de Oslo). O Brasil não assinou a Convenção de Oslo. Assim como os milhares de minas antipessoal brasileiras ainda existentes, bombas ainda hoje produzidas no Brasil estão sendo utilizadas mundo a fora e ameaçando ampliar no número de vitimas e pessoas com deficiência.
Apenas no âmbito da America Latina e dos Países de Língua Portuguesa, os seguintes países estão afetados por minas antipessoal e/ou por bombas clusters: Angola, Moçambique, Guiné Bissau, Colômbia, El Salvador, Malvinas/Falkalands, Peru, Equador, Nicarágua, Venezuela, Chile entre outros.
É preciso que o Brasil assuma imediatamente sua responsabilidade, no âmbito da cooperação internacional Sul-Sul e estabeleça políticas e programas de assistência às vitimas de minas terrestres, bombas cluster e às pessoas com deficiência, suas famílias e comunidades, em geral.
É também impositivo, pelos princípios constitucionais que devem reger a política externa brasileira e pela coerência com a postura em prol dos direitos humanos assumidas pelo Brasil, através da ratificação da Convenção pelos Direitos das Pessoas com Deficiência e Convenção de Ottawa, que o Brasil se torne parte da Convenção de Oslo, prevenindo futuros acidentes causados por armas produzidas no nosso país.
Celebremos o Dia Mundial das Pessoas com Deficiência (3 de Dezembro) e o Dia Mundial dos Direitos Humanos (10 de Dezembro) unindo nossas vozes em apoio e solidariedade a um mundo livre de violência, onde todas as pessoas vivam, sem essas ameaças, com dignidade e direitos iguais (Gustavo Oliveira 10/12/2009).
Mais informações em:
http://www.youtube.com/user/MinesActionCanada (Entrevista em inglês)
http://www.stopclustermunitions.org


30/12/2009 às 15:52
Olá. Sem dúvida que a efetivação dos direitos humanos sempre foi e continua sendo uma utopia. Que bom que há pessoas como você, que trata de tema tão delicado e importante em seu blog. Também tenho algumas matérias sobre o tema em meu blog: http://www.valdecyalves.blogspot.com
Para você um maravilhoso 2010 com maior efetivação dos direitos humanos mais fundamentais. Meu blog: http://www.valdecyalves.blogspot.com
04/01/2010 às 14:56
Legal Valdecy! Anotei o endereço do seu blog e, além de visitá-lo, mandarei a mensagem para o Gustavo Vieira, autor do texto que foi aqui publicado. Um maravilhoso 2010 para você também e que bom que podemos somar forças nesta causa tão vital como a dos direitos humanos.
Abração, ZK.