Repressão de Professores em Puebla-México

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Foto: Tropa de choque do Governador de Puebla, Mario Marín Torres, se prepara para reprimir manifestação de professores. 

Recebi um e-mail de Elis Braz, aluna do jornalismo na UNISINOS, que no primeiro semestre deste ano me convidou para participar, juntamente com a Professora Paula Caleffi e algumas lideranças indígenas, de um programa de rádio que ela conduzia sobre o problema do julgamento da demarcação da Terra Indígena Raposa Serra do Sol no Supremo Tribunal Federal. Neste e-mail, a Elis me conta um pouco sobre o trabalho que anda desenvolvendo em Puebla no México, local onde reside e faz o seu intercâmbio.

Divulgo aqui o documentário que ela ajudou a produzir e que denuncia a repressão violenta do governo de Puebla, ocorrida no dia 10 de junho de 2009, a uma reivindicação de professores, contrários à privatização da educação por lá, proposta defendida pelo governo. Aqui no Brasil, vemos e ouvimos ecos desse tipo de “tratamento” dispensado a movimentos populares e, em especial, a protestos realizados pela comunidade acadêmica. Basta lembrar dos recentes exemplos da USP e da “gentileza” do Coronel Mendes com os professores gaúchos em frente ao Palácio Piratini.

O link para assistir ao documentário (dura 10 minutos) é: http://apollocolectivo.blip.tv/file/2295299

Elis, parabéns pelo teu trabalho e pelo teu interesse e empenho em prol das lutas populares, tanto aqui como no México. Para explicar um pouco melhor o contexto que cerca o documentário, transcrevo abaixo parte do e-mail que recebi da Elis (ZK – 05/07/2009).

 

Escrevo para dividir com todos e cada um de vocês este documentário no qual estive trabalhando nos últimos tempos em parceria com o Apollo Colectivo.  O documentário trata da repressão exercida pelo governo de Puebla, México (cidade onde vivo), sobre um grupo de professores que se manifestavam contra a Alianza por la Calidad Educativa, que é uma proposta de privatização da educação no país.

 

A presidente do sindicato de maestros, Elba Esther Gordillo, é a favor desta implementação. Por todo o país professores em discordância formam novos sindicatos e se organizam para derrubar a proposta além de outras reivindicações.
 

Essa manifestacao foi reprimida pela policia com ajuda de policiais vestidos de civis, além de uma outra série de irregularidades. Fizemos um documentario sobre o caso, tem apenas 10 minutos e o espanhol mexicano é muito facil de compreender.

 

O México vive muitos conflitos sociais, um Estado pouco legitimado pelo povo e de muita repressão. Histórias de desaparecimento forçado e tortura são comuns em todos pueblos indígenas. São centenas de presos políticos e diversas irregularidades que se extremam pela violação dos  direitos humanos dos povos oprimidos.

 

Levamos este documentário ao Encuentro Continental en Contra la Impunidad, en Morelia, IV caracol zapatista. Representantes de diversos paises de todas américas estiveram aí, associações de desaparecidos, grupos de defesa de direitos humanos, da Guatemala, Paraguai, Argentina, Bolivia, Chile, Peru… muitos! Foi bem interessante, com algumas ressalvas pelo exercito zapatista, mas enfim, vale dizer que o unico representante brasileiro foi do MST.

Por fim, senti falta da sua presenca para situar o Brasil dentro dessa dor latina pela impunidade. Acompanho seus emails sobre a Caravana da Anistia e pela convivencia e experiencia que tenho tido aqui no México reconheco ainda mais a foca e o valor desse trabalho que vens fazendo (Elis Braz – 05/07/2009).

 

Postado em Cinema, Notícias | 2 comentários »

2 respostas

  1. Jones diz:

    Zeca,

    Geralmente leio os posts do blog e não comento. No mais das vezes, prefiro o silêncio.
    Já agora, no entanto, impossível ficar calado.
    Ainda ontem lia sobre a passagem do “estado de natureza” para o “estado civil”, por meio do pacto social (contrato).
    Em verdade, o estado de natureza está, nesse caso, a ser perpetrado por aquele a quem foi delegado o uso exclusivo e legítimo da força.
    Um absurdo!

    Abraço,
    Jones.

  2. ZK diz:

    É mesmo Jones. Penso, inclusive, que um dos grandes problemas do imaginário político-estatal é partir da idéia de que o marco zero é o contrato, como se o que veio antes dele e de suas constantes atulizações pudesse ser purificado pelo ideal da igualdade. Penso que a injustiça e a violência não devem ser esquecidas em nome de uma pretensa paz social ou de um mito fundador que as esconda. É preciso ajustar as contas com o passado de desigualdades inadmissíveis, caso contrário elas sempre voltarão pela porta dos fundos. Esta é uma idéia bem interessante que está no livro “Justiça e Memória”, publicado este ano pela Editora UNISINOS, e organizado pelo Prof. Castor Bartolomé Ruiz. A idéia está logo no primeiro artigo, que, na verdade, é uma entrevista com o filósofo espanhol Reyes Mate.
    Espero que agora que quebraste o “gelo” quanto aos comentários, possas fazê-los mais seguidamente. Sei que o Blog cumpre uma função importante pelo fato de ser lido por muitos, mas seria ainda mais ampla a sua repercussão e mais produtivos os seus efeitos se os leitores habituais se dispuzessem também ao diálogo via comentários. Esta observação vale para todos os leitores (especialmente os alunos, professores e funcionários do PPGD e a Graduação em Direito da UNISINOS). Vamos participar mais pessoal!

    Abraço, ZK.

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