
Pessoal, esta dica me foi repassada pela querida amiga Carmen Hein Campos, também professora, ativa militante dos direitos humanos e doutoranda em Ciências Criminais na PUCRS. O evento é da melhor qualidade, o tema é atualíssimo e a inscrição é de graça! Não percam (ZK, 01/06/2009).
O direito das gestantes de feto anencefálicos de interromper a gravidez sem a necessidade de prévia autorização judicial é a temática que envolve o Seminário Internacional sobre Abortamento – Anencefalia e Malformação Fetal, que ocorrerá nesta quinta-feira, 4 de junho, durante todo o dia, no auditório da Escola de Saúde Pública do Rio Grande do Sul, Avenida Ipiranga, 6311, Porto Alegre. Este evento internacional antecipa a discussão que muito em breve acontecerá no Supremo Tribunal Federal (STF) e retomará a votação de um dos temas mais polêmicos que mobilizou o judiciário federal em 2008: – o julgamento da ação que propõe a garantia do direito à antecipação terapêutica do parto quando se constata que o feto não tem cérebro.
O Seminário tem efeito mobilizador e sensibilizador da sociedade gaúcha, do movimento de mulheres e feminista para este assunto que tramita na justiça brasileira desde julho de 2004 em face da ação impetrada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores da Saúde (CNTS), em parceria com a organização não-governamental ANIS – Instituto de Bioética, Direitos Humanos e Gênero, de Brasília/DF, que pede ao STF que deixe de ser considerado crime a interrupção da gravidez quando se constata que o feto não tem cérebro. Esta ação visa garantir o direito de escolha das mulheres e estende proteção aos profissionais de saúde que quiserem realizar o procedimento.
O evento, com livre acesso, deverá reunir estudantes, professores, pesquisadores e ativistas da área da Saúde, do Direito e das Políticas Públicas. Este Seminário se insere nos debates acerca dos direitos reprodutivos das mulheres, fundamentados no direito humano à autonomia, à saúde e à dignidade. Além da instituição que o sedia, o evento é promovido pela Rede Feminista de Saúde, Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos, pelo Center For Reprodutctive Rights (Estados Unidos) e pelas Ongs Themis – Assessoria Jurídica e Estudos de Gênero, de Porto Alegre; ANIS – Instituto de Bioética e Direitos Humanos e tem o apoio do Coletivo Feminino Plural, de Porto Alegre e o Grupo de Estudos sobre Aborto, de São Paulo.
Entre os convidados nacionais encontra-se a antropóloga Débora Diniz, da Universidade de Brasília e uma das diretoras do ANIS que esteve presente em uma das seis audiências públicas promovidas, em junho de 2008, pelo Supremo Tribunal Federal com o objetivo de instruir os ministros da Corte para o julgamento da ação da CNTS. Ela estará na mesa 2 com início previsto para às 14 horas que será “O debate jurídico em torno do abortamento legal em casos de malformação fetal”. Débora dvidirá a mesa com as advogadas Martin Hevia, da Universidad Di Tella, da Argentina, e com a doutoranda em Ciências Criminais/PUC/RS, Carmem Hein de Campos,de Porto Alegre.
OUTROS CONVIDADOS – Entre os convidados internacionais, estará presente a psicóloga porto-riquenha Nirvana Gonzalez, que é coordenadora geral da Rede de Saúde das Mulheres Latinoamericanas e do Caribe (RSMLAC), com sede no Chile. Ela trará um panorama sobre o aborto por anencefalia e mal formação fetal na região, ao lado de Ximena Andion, Center for Reproductive Rights – Nova York, que abordará o direito internacional dos direitos humanos das mulheres e experiências comparadas de reforma na América Latina. Quanto ao panorama do problema no Brasil e a atenção à saúde no SUS, falarão a cientista política Telia Negrão, Rede Feminista de Saúde, Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos, o médico Cristião Rosa, Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (Febragos) e Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia (FIGO) e um representante do Ministério Público do Rio Grande do Sul. As inscrições são gratuitas pelo e-mail: inscricaosaude@gmail.com
Mais informações podem ser obtidas nos telefones das entidades co-promotoras de Porto Alegre (Carmen Hein Campos, 01/06/2009).
Escola de Saúde Pública - 39011464
Rede Feminista de Saúde - 32124998 - comunicarede@redesaude.org.br
Themis – 32120104
Coletivo Feminino Plural – 32215298

10/06/2009 às 08:53
ZK!
Aceitei o chamamento e fui a Porto Alegre na semana passada. Graças a teu blog, pude participar das discussões mais ricas a que já tive acesso sobre este controvertido tema. A maioria dos participantes representava alguma organização da sociedade civil e trazia experiências valiosas sobre o tema. O ponto alto, entretanto, foi a presença de Débora Diniz, antropóloga, professora da UNB e presidente da ANIS, organização responsável pela ADPF levada ao STF, juntamente com os trabalhadores da área da saúde. Débora relatou a uma platéia vidrada todo o processo de idealização da ADPF, a escolha dos argumentos jurídicos que seria utilizados, a estratégia de substituir uma palavra estigmatizada (aborto) por uma expressão mais tênue (antecipação terapêutica do parto), tudo relatado com muito cuidado, de forma que nenhum detalhe importante fosse esquecido. Junto à Debora, Ximena Dion, representante do Center for Reproductive Rights, com sede em Nova York, relatou a iniciativa do Instituto em ajuizar uma ação contra o Estado do Peru perante a Comissão de Direitos Humanos, pelo tratamento análogo à tortura imposto à jovem KL, com, então 17 anos, que não apenas foi impedida de interromper a gestação de fato anencéfalo, como foi obrigada a amamentá-lo durante os dois dias em que sobreviveu. Enfim, um debate rico, cheio de tolerância, de compreensão e da convicção de que há algo a ser feito. Obrigada, ZK, pelo aviso.
10/06/2009 às 09:18
ZK!
Aceitei o chamamento e fui a Porto Alegre na semana passada. Graças a teu blog, pude participar das discussões mais ricas a que já tive acesso sobre este controvertido tema. A maioria dos participantes representava alguma organização da sociedade civil e trazia experiências valiosas sobre o tema. O ponto alto, entretanto, foi a presença de Débora Diniz, antropóloga, professora da UNB e presidente da ANIS, organização responsável pela ADPF levada ao STF, juntamente com os trabalhadores da área da saúde. Débora relatou a uma platéia vidrada todo o processo de idealização da ADPF, a escolha dos argumentos jurídicos que seria utilizados, a estratégia de substituir uma palavra estigmatizada (aborto) por uma expressão mais tênue (antecipação terapêutica do parto), tudo relatado com muito cuidado, de forma que nenhum detalhe importante fosse esquecido. Junto à Debora, Ximena Dion, representante do Center for Reproductive Rights, com sede em Nova York, relatou a iniciativa do Instituto em ajuizar uma ação contra o Estado do Peru perante a Comissão de Direitos Humanos, pelo tratamento análogo à tortura imposto à jovem KL, com, então 17 anos, que não apenas foi impedida de interromper a gestação de fato anencéfalo, como foi obrigada a amamentá-lo durante os dois dias em que sobreviveu. Enfim, um debate rico, cheio de tolerância, de compreensão e da convicção de que há algo a ser feito. Obrigada, ZK, pelo aviso.
10/06/2009 às 18:48
Que legal Pâmela! Fico muito feliz mesmo que tenhas conseguido aproveitar, e mais ainda que tenhas feito um relato resumido tão bom sobre o que aconteceu por lá. Eu, infelizmente, não pude estar presente.
A Débora Diniz é realmente impressionante! Quando apareceres pela UNISINOS ou por Porto Alegre me avisa, pois posso te emprestar alguns DVDs (pequenos documentários) que a Débora Diniz produziu sobre o tema da antecipação terapêutica do parto (o José Simão diria que “atucanaram” o aborto, eh, eh, eh).
Abração, ZK.