Ela é americana, mas foi na França que ganhou um disco de ouro por Breakfast On The Morning Tram – que é de 2007, e eu só o descobri agora. Quem não conhece, não perca o trabalho da moça: http://www.myspace.com/staceykentmusic. Ela é doce como um solzinho esquentando os ossos. O repertório é lindo, em inglês e francês, com direito a música brasileira (Samba saravá, do Baden e do Vinícius) e a uma versão surpreendente de What a wonderful world - e eu pensei que jamais gostaria desta música numa voz que não fosse a do Louis Armstrong. Mas a maior das delícias é ouvi-la dizer, em Ces petits riens (vídeo acima): “Mieux vaut pleurer de rien/ Que de rire de tout/ Pleurer pour un rien/ C’est déjà beaucoup/ Mais vous vous n’avez rien/ Dans le cœur et j’avoue/ Je vous envie/ Je vous en veux beaucoup/ Ce sont ces petits riens/ Qui me venaient de vous/ Les voulez-vous ?/ Tenez ! Que voulez-vous ?/ Moi je ne veux pour rien / Au monde plus rien de vous/ Pour être à vous/ Faut être à moitié fou”. Com ela nos ouvidos, wonderful world mesmo !
Novidades do outono europeu: maravilhosa Melody Gardot, com seu Worrisome Heart (Universal, 2008); linda homenagem de Laïka Fatien a Billie Holiday, em Laïka Misery (Blujazz, 2008); Carla Bruni, em bregão e estranho disco novo, Comme si de rien n’était, mas a polêmica “Tu es ma came” é excelente – e ”Péché d’envie” e “Je suis une enfant” são bem boas; Julien Clerc, o Roberto Carlos da França, lança um disco de matar de rir, a começar pelo título “para onde vão os aviões quando eles se vão?”. As músicas também concorrem aos piores títulos de todos os tempos, com “Saia de lã”, “Fadinha”, “Incomode as pedras” , “Forçosamente”, etc., mas gosto dele. Do lado erudito, mestra e discípula dizem presente: a EMI lança uma coletânea de música para dois pianos do gênio argentino Martha Argerich, tudo de bom. Vi a venezuelana Gabriela Montero tocar como revelação, ao lado de Martha, ano passado, na Salle Pleyel. No bis, sozinha, Gabriela disse que improvisaria Bach: pediu para a platéia cantarolar um trecho ou dizer um nome de música. Bastava um assobio, e ela saía tocando todo o movimento maravilhosamente, legítima “chose de lóqui”, como dizia o Jô. Agora Gabriela mostra seu extraordinário talento em improvisações sobre música barroca (EMI, Baroque, 2008), com grandes momentos de Vivaldi e Handel numa fusão de estilos indescritível. Se este é o outono, imagina a primavera… (D.V., SP, 20/9/08)

21/09/2008 às 22:55
Deisy, pode sempre oferecer boas sugestões como essa! Só deixam o blog mais atrativo.
Me lembrou muito Madeleine Peyroux que é americana mas canta também em francês, é discípula do jazz e tenta algum samba-manso-bossa-nova, como na música que titula o último álbum: Half the perfect world, ainda que eu prefira o primeiro (Dreamland). Pra quem não conhece, deixo a indicação! Ainda que uma música dela já tenha aparecido em alguma novela da Globo (se não estou enganado), a qualidade não fica maculada…
Valeu pelas dicas.
Beijo
21/09/2008 às 23:01
Já coloquei o emule pra trabalhar!
23/09/2008 às 08:17
Sim,gosto muito da Madeleine Peyroux! E se até o Bezerra da Silva trabalhou na Globo como o Emiliano nos contou ontem… beijos!