Imagem: Divulgada pela Funai foto aérea da mais nova “ameaça à soberania nacional”, localizada no Acre.
O Professor Boaventura de Sousa Santos, sensível à ameaça de retrocesso dos direitos humanos que se esboça em nosso país no ano em que a Declaração dos Direitos Humanos completa 60 anos, vem em defesa dos povos indígenas Makuxi, Wapixana, Taurepang, Patamona e Ingarikó, distribuídos em 194 comunidades que vivem na terra Raposa Serra do Sol no Estado de Roraima , propor um abaixo assinado eletrônico, que pode ser assinado no site www.petitiononline.com/tirssjg/petition.html . Como o site não aceita os caracteres em português, anexa-se aqui a íntegra do texto . A proposta do abaixo assinado surgiu durante o Seminário Povos Indígenas, Estado e Soberania Nacional, ocorrido no dia 28 de maio de 2008 no Auditório Dois Candangos da Universidade de Brasília. O Professor José Carlos Moreira da Silva Filho do PPGD UNISINOS foi convidado e esteve presente no evento, organizado pelo Fórum de Defesa dos Direitos Indígenas (FDDI) e pelo Observatório da Constituição e da Democracia – C&D (Grupo de Pesquisa “Sociedade, Tempo e Direito” do PPGD da UnB). As duas mesas ocorridas, intituladas “Territórios Indígenas e Soberania Nacional – o caso da terra Raposa Serra do Sol” e “Povos Indígenas e Estado Nacional – Racismo e Discriminação no Brasil Contemporâneo” foram extremamente ricas e abrangentes. Quem saiu daquele seminário certamente pôde perceber com nitidez, se ainda não o tinha feito, que um dos maiores problemas do Brasil é a desinformação. É frontal e incomensurável a parcialidade disfarçada de imparcialidade, a seleção dos fatos para que reafirmem uma conclusão assumida desde o início e a apresentação de fatos não ocorridos como se ocorridos fossem, de suspeitas que ao serem noticiadas, normalmente sem nenhuma prova, viram fatos incontestáveis. A opinião pública simplesmente aceita com pouca ou sem nenhuma resistência as notícias e as análises que desfilam nos telejornais e que são escritas nas revistas semanais e em muitos jornais impressos. A cobertura do episódio dos índios da Reserva Raposa Serra do Sol, assim como dos fatos recentes envolvendo um conflito entre os índios Kayapó e um engenheiro da Eletrobrás na Região Amazônica são um grande exemplo da doença crônica chamada “desinformação”, que tem como um dos principais sintomas a “acomodação” (para não dizer “alienação”).Este “post” procura, modestamente, servir de contraponto à análise que de maneira maciça tem sido veiculada pela imprensa. O leitor que estiver interessado em obter mais informações sobre esses episódios e, conseqüentemente, sobre a questão indígena no Brasil, tem aqui à disposição informações que dificilmente têm vencido as barreiras editoriais da nossa imprensa, e poderá, com base nelas, formar o seu juízo a respeito do assunto e, se assim entender, participar da iniciativa promovida pelo Professor Boaventura de Sousa Santos e integrar o abaixo assinado que consta no começo deste “post”. Eis os textos que são aqui anexados: uma resenha do Professor José Carlos sobre o Seminário Povos Indígenas, Estado e Soberania Nacional, ocorrido na UnB; um texto de Boaventura de Sousa Santos escrito especialmente para o evento e intitulado Bifurcação na Justiça; um artigo intitulado O STF e a terra indígena Raposa Serra do Sol de autoria da Profa. Rosane Freire Lacerda, advogada do Conselho Indigenista Missionário (CIMI) e membro do Grupo de Pesquisa “Sociedade, Tempo e Direito” do PPGD da UnB, além da principal organizadora do evento; um texto da mesma autora explicando a questão dos índios Kayapó em conflito com o engenheiro da Eletrobrás; um artigo escrito pelo advogado Fábio de Oliveira Ribeiro, intitulado Globo silencia os índios (também sobre o caso dos Kayapó) e, por fim, a entrevista com o Padre Jesuíta Aloir Pacini que foi concedida ao Instituto Humanitas da UNISINOS, com o título Os índios não precisam mais deixar de ser índios para serem brasileiros.


03/06/2008 às 11:52
Obrigada pelas informações! Realmente, elas são fundamentais para se conseguir fazer um contraponto às análises veículadas pela imprensa. Quem está acompanhando as notícias sobre este tema nos ‘tradicionais’ meios de comunicação fica assustado com o que vê e escuta! Acho que o blog está fazendo a sua parte: criando um antídoto para combater a doença crônica chamada “desinformação”.
03/06/2008 às 13:43
Da resenha, referida no post, de autoria do Prof. José Carlos, colho o seguinte trecho: “…a Sub-Procuradora Geral da República, Débora Duprat, pergunta qual seria o problema em se povoar as fronteiras com indígenas. Afinal, eles não são humanos também? É como se as discussões sobre a humanidade dos índios, iniciadas no Debate de
Valladolid em 1550 entre Juan Ginés de Sepúlveda e Bartolomé de Las Casas voltasse a acontecer, lembra o Prof. Cristiano Paixão”. Parece, diante de tudo que foi dito no post – e que esse fragmento textual bem ilustra – que a discussão sempre termina (ou inicia!) na ausência de uma compreensão do “outro”…e a “desinformação dos meios de comunicação”, nesse ponto, é lamentável.