Sean Penn preside o Festival de Cannes: o contrário do Oscar

Você ficaria surpreso ao ver a que ponto questões de ordem política são suscitadas por cada um dos membros do júri, a partir de filmes ou de elementos fílmicos que, na superfície, não são políticos. Mas, de maneira geral, nós privilegiamos a experiência cinematográfica. Princípio que, por óbvio, pode ser interpretado de numerosas formas”.

Le Monde: O que acha da Palma de Ouro dada por Quentin Tarantino à Michael Moore em 2004? [pelo filme Fahrenheit 9/11] Penn: Eu estou feliz por não ter tido que participar daquele júri. Porque eu penso que é um filme muito importante, e que terá um impacto a longo prazo, como arquivo histórico. Ao mesmo tempo, ele não está em nada vinculado às razões do meu amor pelo cinema. Se eu estivesse no lugar de Tarantino, isto teria me torturado. Le Monde: Crê que a Palma serviu à causa de Michael Moore ? Penn: Ele perdeu a batalha, como todos os que lutaram contra a guerra do Iraque, inclusive eu.

Veja a íntegra da entrevista exlusiva de Penn em: Le Monde, 24.05.08

Foto: Reuters, Jean-Paul Pelissier

Postado em Cinema | 2 comentários »

2 respostas

  1. Mousés Stumpf diz:

    É sensível uma posição que nos coloca frente a uma questão ainda a ser pensada. E qual é esta questão? Ora, em condições mais apuradas onde tendemos a fugir de julgamentos arraigados ao senso comum, a visão (imagem) do cinema enquanto arte coloca o artista e o público em esferas distintas e imiscuídas. O que quero dizer com isso? Bom, a arte em princípio para que desenvolva um sentido necessita de um impulso de negatividade, espaço de criação que difere o cotidiano (normas sociais) da ficção. Esta sim nos serve negativamente como um modelo diferencial de nós mesmos onde a liberdade do pensamento realmente se faz presente. Em sendo assim, quem julga a arte passa a ser um modelo da própria contradição entre o artista e a obra. O espírito artístico não se preta à assimilação da regra social do julgamento e, assim, quem sabe seja esta a angústia de quem vive para a negatividade.

    É compreensível realmente a angústia!?

  2. Cauê diz:

    Cannes não é o contrário nem o oposto do Oscar. Festivais hiper-midiatizados têm viés comercial indelével, o que não quer dizer que premie somente filmes ruins. Vide ambos. Não se pode dizer que o “cinema” como tal é festejado nestes dois “festejos”.

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