Felicidade, motor do consumo – Contardo Calligaris

“Para mim, o perdedor é aquele que não conseguiu viver sua vida com toda a intensidade que ela merece. O que não tem nada a ver com felicidade. O projeto de sermos felizes é profundamente errado, concebido para nos manter na insatisfação, o que é absolutamente necessário na sociedade de consumo. O ganhador é quem teve uma alta qualidade de experiência, seja qual for, que tenha sido intensamente. A felicidade, eu sou contra. Sexo não é felicidade, é alegria”.

O psicanalista e escritor Contardo Calligaris foi sabatinado pelo jornal Folha de S. Paulo. Veja o resumo da sabatina em FSP, 21/05/08

Veja vídeo com a íntegra do evento em: http://mais.uol.com.br/view/1575mnadmj5c/veja-a-integra-da-sabatina-da-folha-com-contardo-calligaris-04026EC08953E6?types=A

Imagem: Capa do novo livro de Calligaris, Quinta-coluna, São Paulo: Publifolha, 2008.
P.S. O romance, O Conto do Amor, esqueça.

Postado em Outros | 5 comentários »

5 respostas

  1. Carla R. Schäffer diz:

    O conceito de perdedor/vencedor me fez lembrar um pouco o filme “Pequena Miss Sunshine”… As vezes estamos tão preocupados em não sermos ‘perdedores’ que esquecemos de viver a vida real. Super interessante a entrevista! Não entendi muito bem o “P.S”, mas deixa assim…

  2. Deisy Ventura diz:

    Carla, valeu, adoro “Pequena Miss Sunshine”! Também tem muito a ver com achar que ser feliz é realizar os padrões dos outros e não ter coragem de criar os próprios. Sobre o PS, simplesmente quer dizer que recomendo o Quinta-coluna, tri-bom, e não recomendo o Conto. O cara é tão genial como cronista e psicanalista, que ler o romance é super frustrante. Quem sabe o próximo? Abração, Carla, e que bom te ver aqui no blog !

  3. Paulo Ferrareze Filho diz:

    Se a felicidade plena não está tão próxima, nos resta, pois, ficar com a alegria…hehehehe
    Brincadeira a parte, o sexo ainda é dos poucos remanescentes que se mantém à margem dessa “felicidade de/no consumo”…
    Boa semana a todos!

  4. Juliano Puchalski Teixeira diz:

    Viver uma vida autêntica é o grande desafio. Mas como?
    Temos que reconhecer que, durante as 24 horas do dia, somos influenciados a agir de determinada forma, que muitas vezes não é a “nossa” forma, mas sim a forma imposta pela sociedade de consumo, que nos diz que roupa vestir, que filme olhar, que livro ler, o que pensar, o que comer, como viver.
    Acredito que a autenticidade se adquire com base em nossa experiência de vida. Ler livros, ver bons filmes,apreciar a arte, manter-se próximo de pessoas que nos façam bem,viajar, sonhar, estudar, são atividades que podem nos indicar aquilo que queremos para nossa vida e que nos diferenciem dos demais.
    Porém, é preciso ter cuidado, pois as pessoas autênticas são quase sempre alvo dos membros da sociedade padronizada.

  5. Cauê diz:

    Sendo fetichista, lendo pela “metade”, ou somente um quarto, ou de qualquer modo uma parte, vejamos: “O projeto de sermos felizes é profundamente errado, concebido para nos manter na insatisfação, o que é absolutamente necessário na sociedade de consumo.”. Isto é um rápido. Não há “projeto de sermos felizes”. Se é uma imagem que se vende hoje em dia, basta voltar 2500 anos atrás e consultar a Ética Nicomaquea de Aristóteles. E assim grande parte do conceitual filosófico do “pos bios”. E a questão permanece em aberto… Ps. Gradação de estado anímico já é demodé, não?

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