
“Alguém que é feliz a vida toda é um cretino; por isso, antes de ser feliz, prefiro ser inquieto”. (…) “Foi minha avó materna que me iniciou na literatura; era uma mulher sem cultura, mas tinha paixão pela leitura”. (…) “A relação de um professor com os alunos é canibal: você come as carnes jovens deles, e eles comem sua experiência”. (…) “A memória é nossa identidade, nossa alma; se você perde a memória hoje, já não existe alma; você é um animal”.
Veja a genial entrevista de Umberto Eco, publicada, hoje, pelo Caderno Mais da FSP Eco, 11/05/08
Foto: Jordi Socías

15/07/2008 às 21:47
“Sem memória você é um animal”. Bem, Leibniz mesmo dizia que os animais só tinham memória, mas não alma. Se pensarmos um pouco, memória é história, ou história é memória. História é uma interpretação de fatos, ou uma projeção de fatos? Memória é tudo, ou uma parte?
Se qualquer modo, imaginemos uma situação catastrófica: todas as bibliotecas do mundo foram incendidas, e num frenesi Marinettiano todos os museus destruídos. Boa parte da memória do homem se perto, e ele volta a ser um animal. Nota bene: condição da qual nunca saiu. Seja na chava mais tradicional, do animal rationale, tradução do ekhon logon (tradução ou transposição, eis a dúvida), seja em qualquer outra chave de concepção humanista, o homem é sempre um animal adjetivado. Se a memória for só um depósito de passado…