

Cartazes de Maio de 68 1. “Educação permanente” 2. “A ordem reina”
Há 40 anos atrás, na noite de 10 para 11 de maio, Paris contava cerca de 60 barricadas e enviava outros 400 estudantes aos hospitais. Apenas mais uma madrugada do movimento que marcou o século passado, e persiste como referência do pensamento e da ação política, incontornável até para quem nunca ouviu falar do assunto. Como disse Antonio Negri, todos nós temos 68 no corpo, da dimensão individual (por exemplo, a liberdade sexual de que se desfruta hoje) à coletiva - entre tantos, os “French Doctors”, jovens médicos que criaram, em 68, o comitê internacional contra o genocídio de Biafra, embrião da ONG ”Médicos sem fronteiras” e de um novo conceito de ajuda humanitária. Na minha percepção gravou-se, sobretudo, a imagem do estudante como ator político, aquilo que Vaclav Havel chamou de “conjunto de atitudes éticas e estéticas”, da consciência comunitária à fantasia do movimento estudantil, e não por acaso. Lembro que, em maio de 1988, na Universidade Federal de Santa Maria, os estudantes, sozinhos, mantiveram uma greve, quase total, de 3 semanas, em protesto contra o aumento do preço do transporte coletivo. A Zero Hora noticiava algo como ”maio, 20 anos depois” e, entre um golpe de cacetete e outro, inchávamos também de orgulho pela comparação, totalmente desproporcional mas bem-vinda. Eu tinha 20 anos, presidia o DCE e andava sempre com a mão em forma de “V” da vitória (não, não era paz e amor). Frutos da longa e bela tradição da política estudantil santamariense, eram tempos de 2 mil estudantes na rua. De fato, o preço da passagem baixou. Mas rapidamente o movimento estudantil mudou. Começava, entre outras coisas, a perplexidade da esquerda, este longo processo no qual seguimos mergulhados. Hoje, não encontrei notícias sobre protestos estudantis massivos para colocar no blog. Sei que existem, mas os que ocorreram recentemente na França, por exemplo, são muito mais o lamento dos que temem não poder ingressar na sociedade de consumo do que uma oposição à imbecilidade sistêmica em que vivemos. A rebeldia segue, porém, existindo, fortemente, de outras maneiras. Exemplo: chega a ser rebelde, hoje, a opção pela inteligência, quando se tem escolha; e ainda mais rebelde é o construir-se de modo a ter o máximo possível de escolha. (D.V., SP, 10/05/2008)
Veja imagens das manifestações de maio de 68 em Paris http://www.youtube.com/watch?v=qbhxy-A22aQ&feature=related
Veja o balanço da atualidade do pensamento de maio de 68, por Nicolas Weil El País, 25/04/2008
Não perca o artigo de Edgar Morin, “Uma revolução sem rosto – Da revolta estudantil à contestação do poder”, publicado no Le Monde, em 5 de junho de 1968 Morin, junho de 68 e uma entrevista sobre o mesmo tema, 40 anos depois, publicada na Folha de S. Paulo (enviada por Emiliano Maldonado, Direito/UNISINOS) Morin, abril de 2008
Participe do Simpósio Internacional O ano de 68 – Permanências e Mudanças http://www.unisinos.br/eventos/1968/index.php?option=com_content&task=view&id=12&Itemid=26&marcador=26
(dica de evento do Lucas Valente e do Hector Soares, Direito/UNISINOS)

15/05/2008 às 11:10
Concordo com Morin. Concordo com a prof. Deisy. Não há notícias sobre protestos estudantis massivos porque, como Morin mesmo diz, o mundo perdeu totalmente a crença em um futuro melhor. Não mais se acredita que a movimentação de um DCE conseguirá impedir o aumento do transporte coletivo, como aconteceu em Santa Maria. Fazendo um link com o post da entrevista do Umberto Eco, infelizmente o mundo está esquecendo o significado de maio de 68, perdendo a memória, se tornado mais bruto.
15/07/2008 às 21:50
Não acredito que o mundo tenha perdido crença em um futuro melhor. O mundo nunca prestou atenção a um presente possível de ser melhorado. Maio de 68, quimera, mito ou realidade? Debate infinito. Dentro de um âmbito completamente infestado pela presença deste Maio, vejo se arrastar por corredores infinitos uma lamúria digna da Igreja Católica perdendo seu prestígio. Só que em Francês, não em Latim…