Sean Penn preside o Festival de Cannes: o contrário do Oscar

Você ficaria surpreso ao ver a que ponto questões de ordem política são suscitadas por cada um dos membros do júri, a partir de filmes ou de elementos fílmicos que, na superfície, não são políticos. Mas, de maneira geral, nós privilegiamos a experiência cinematográfica. Princípio que, por óbvio, pode ser interpretado de numerosas formas”.

Le Monde: O que acha da Palma de Ouro dada por Quentin Tarantino à Michael Moore em 2004? [pelo filme Fahrenheit 9/11] Penn: Eu estou feliz por não ter tido que participar daquele júri. Porque eu penso que é um filme muito importante, e que terá um impacto a longo prazo, como arquivo histórico. Ao mesmo tempo, ele não está em nada vinculado às razões do meu amor pelo cinema. Se eu estivesse no lugar de Tarantino, isto teria me torturado. Le Monde: Crê que a Palma serviu à causa de Michael Moore ? Penn: Ele perdeu a batalha, como todos os que lutaram contra a guerra do Iraque, inclusive eu.

Veja a íntegra da entrevista exlusiva de Penn em: Le Monde, 24.05.08

Foto: Reuters, Jean-Paul Pelissier

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Angeli e o mundo

Publicada na Folha de S. Paulo de 23/05/08, p.A2

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Felicidade, motor do consumo – Contardo Calligaris

“Para mim, o perdedor é aquele que não conseguiu viver sua vida com toda a intensidade que ela merece. O que não tem nada a ver com felicidade. O projeto de sermos felizes é profundamente errado, concebido para nos manter na insatisfação, o que é absolutamente necessário na sociedade de consumo. O ganhador é quem teve uma alta qualidade de experiência, seja qual for, que tenha sido intensamente. A felicidade, eu sou contra. Sexo não é felicidade, é alegria”.

O psicanalista e escritor Contardo Calligaris foi sabatinado pelo jornal Folha de S. Paulo. Veja o resumo da sabatina em FSP, 21/05/08

Veja vídeo com a íntegra do evento em: http://mais.uol.com.br/view/1575mnadmj5c/veja-a-integra-da-sabatina-da-folha-com-contardo-calligaris-04026EC08953E6?types=A

Imagem: Capa do novo livro de Calligaris, Quinta-coluna, São Paulo: Publifolha, 2008.
P.S. O romance, O Conto do Amor, esqueça.

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Caravana da Anistia na UNE: Tarso diz que tortura não é crime político

No dia 15 de maio, quinta-feira, mais uma edição das Caravanas da Anistia teve lugar. O evento ocorrido na cidade do Rio de Janeiro no terreno onde havia a sede da UNE, demolida pelos militares durante a ditadura, marcou o início da campanha pela reconstrução da antiga sede, que inclusive já conta com projeto arquitetônico doado por Oscar Niemeyer. No evento ocorreu também a assinatura da portaria ministerial que institui o projeto Memorial da Anistia. Contrariamente ao que a palavra de origem grega sugere (amnistia) o intuito do projeto é manter acesa a memória política do país com a construção de um espaço de preservação de documentos, vídeos, depoimentos, fotos, livros e outros meios de registro dos fatos ocorridos de 1964 a 1988. O objetivo do Memorial é dar voz às vítimas da ditadura brasileira por intermédio de suas testemunhas e fazer com que a sociedade também se transforme em uma testemunha do ocorrido.

Na solenidade, que contou com a presença do Ministro da Justiça, Tarso Genro, do Presidente Nacional da OAB, Cezar Britto, do Presidente da Comissão de Anistia, Paulo Abrão Pires Junior, da Presidente da União Nacional dos Estudantes -UNE, Lúcia Stumpf, e do Presidente da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas – UBES, Ismael Cardoso, foram julgados os requerimentos de Honestino Guimarães e de Elza Monnerat, ambos estudantes que foram vitimados pela repressão estatal na ditadura militar brasileira.

O que chamou mais a atenção da imprensa, contudo  (O Globo, O Estadão, a Folha de São Paulo, o Correio Braziliense), foram as declarações contundentes do Ministro da Justiça Tarso Genro quanto aos crimes de tortura cometidos na ditadura militar. Ele defendeu o argumento de que tortura não é crime político e que para que seja possível estender a anistia para esses casos, haveria que, ao menos, primeiramente processar e condenar os torturadores, para só depois poder perdoá-los. Disse o ministro: “Se um agente público invade uma residência na época da ditadura, cumprindo ordem ilegal do administrador autoritário de plantão, e prende pessoas, isso é um crime político originário do Estado de fato vigente naquele momento. Se esse mesmo agente público prende essa pessoa e a leva para um porão e a tortura, este crime de tortura não é um crime político, porque nem a legalidade da ditadura permitia o crime de tortura. Portanto, crimes como esse não poderiam estar abrigados [pela Lei de Anistia]. Agora, isso tem que ser uma interpretação do Poder Judiciário. Não é necessário modificar a lei para que esses crimes sejam punidos”. E acrescentou: “Torturadores e genocidas desse país (…) nem sequer foram julgados pelos crimes que cometeram nos porões da ditadura. (…) Teve pessoas de boa-fé defendendo o regime. (…) Elas dizem: ‘A anistia foi feita para todos, inclusive os torturadores’. Eu respondo: se ela foi feita para os torturadores, eles têm que ser julgados, receber uma pena e depois receber anistia”. Cezar Britto defendeu a fala do Ministro: “Para que eu perdoe, eu preciso saber do que estou perdoando. A razão do perdão. Por isso que insistimos que anistia não é amnésia. Temos que saber efetivamente o que aconteceu, conhecer todos os detalhes do que aconteceu na ditadura militar para que não possamos repetir o erro”. No mesmo dia o Ministério Público Federal propôs ação civil pública contra a União e os militares reformados Carlos Alberto Brilhante Ulstra e Audir Santos Maciel, comandantes do DOI-Codi (Destacamento de Operações de Informações do Centro de Operações de Defesa Interna) em São Paulo de 1970 a 1976. O MPF pede que ambos sejam pessoalmente responsabilizados pela tortura, morte e desaparecimento de 64 pessoas, entre elas Vladimir Herzog e Manoel Fiel Filho, e que sejam obrigados a ressarcir à União o dinheiro gasto com as indenizações respectivas (no valor de R$ 7 milhões). O MPF pede ainda que sejam condenados a não mais exercerem função pública.  É a primeira vez que o Ministério Público propõe uma ação civil buscando a punição de militares envolvidos com a repressão política no regime militar. (J.C.M.S., POA, 19/05/08)  Confira a Ação Civil Pública oferecida pelo MPF no endereço: http://www.prr3.mpf.gov.br/temp/files/200861000114145.pdf . Veja também um breve resumo do que saiu na imprensa sobre as declarações do Ministro e sobre a Caravana da Anistia na UNE, bem como, sobre o mesmo assunto, artigo de Jânio de Freitas intitulado “Anistia para o impasse”.  Por fim, a pedido de Gustavo Batista, nos comentários deste post, disponibilizo aqui o poema Casa, escrito por Jorge Hamilton Sampaio em homenagem aos perseguidos, mortos, torturados e desaparecidos políticos  da ditadura militar brasileira.

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Nocaute no Primeiro Round

No depoimento da Ministra Dilma Roussef à Comissão de Infra-Estrutura do Senado Federal na última quarta-feira, o Senador José Agripino Maia (DEM-RN – antigo PFL) fez uma pergunta que revela um misto de ignorância com truculência, cumulada com altas doses de insensibilidade. Quem não viu ou ouviu, pode conferir nos vídeos abaixo (o primeiro contém a pergunta do Senador e o segundo a resposta da Ministra). Não perceber a diferença que há entre alguém mentir sob tortura para não entregar seus companheiros de luta contra a ditadura e alguém mentir ou não em declarações à imprensa ou depoimentos ao Congresso Nacional ocorridos em um regime democrático, no qual ao menos as liberdades políticas e civis estão garantidas e são minimamente respeitadas, revela, na verdade, uma visão truculenta da história recente do nosso país, que não se escandaliza ou não se choca com os procedimentos gorilescos adotados pelos militares e seus agentes de repressão durante os anos de chumbo. A resposta da Ministra foi incisiva e devastadora, arrancando aplausos até de políticos da oposição e deixando o Senador com cara de bobo e com os olhos esbugalhados (talvez até surpreso com o fato de ele mesmo não ter percebido a estupidez da sua pergunta). O mais preocupante é que esse tipo de atitude do Senador, que em 1979 foi prefeito biônico de Natal pela Arena, pode ser estendida a significantes parcelas da mídia impressa e televisiva e a muitos brasileiros que defendem ações públicas que desrespeitem os direitos fundamentais, como a prática da tortura nas delegacias de polícia e nas incursões da polícia nas favelas, por exemplo. Esse triste efeito é mais uma conseqüência da falta de educação e memória política no Brasil (J.C.M.S., POA, 11/05/08).

Veja também sobre o assunto o artigo publicado no site da Revista Carta Capital e que se intitula Dilma e o enterro do dossiê  .

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Umberto Eco, o quase feliz: “sem memória, já não existe alma; você é um animal”

“Alguém que é feliz a vida toda é um cretino; por isso, antes de ser feliz, prefiro ser inquieto”. (…) “Foi minha avó materna que me iniciou na literatura; era uma mulher sem cultura, mas tinha paixão pela leitura”. (…) “A relação de um professor com os alunos é canibal: você come as carnes jovens deles, e eles comem sua experiência”. (…) “A memória é nossa identidade, nossa alma; se você perde a memória hoje, já não existe alma; você é um animal”.

Veja a genial entrevista de Umberto Eco, publicada, hoje, pelo Caderno Mais da FSP   Eco, 11/05/08

Foto: Jordi Socías

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Paris, Maio de 68

Cartazes de Maio de 68 1. “Educação permanente” 2. “A ordem reina”

Há 40 anos atrás, na noite de 10 para 11 de maio, Paris contava cerca de 60 barricadas e enviava outros 400 estudantes aos hospitais. Apenas mais uma madrugada do movimento que marcou o século passado, e persiste como referência do pensamento e da ação política, incontornável até para quem nunca ouviu falar do assunto. Como disse Antonio Negri, todos nós temos 68 no corpo, da dimensão individual (por exemplo, a liberdade sexual de que se desfruta hoje) à coletiva - entre tantos, os “French Doctors”, jovens médicos que criaram, em 68, o comitê internacional contra o genocídio de Biafra, embrião da ONG ”Médicos sem fronteiras” e de um novo conceito de ajuda humanitária. Na minha percepção gravou-se, sobretudo, a imagem do estudante como ator político, aquilo que Vaclav Havel chamou de “conjunto de atitudes éticas e estéticas”, da consciência comunitária à fantasia do movimento estudantil, e não por acaso. Lembro que, em maio de 1988, na Universidade Federal de Santa Maria, os estudantes, sozinhos, mantiveram uma greve, quase total, de 3 semanas, em protesto contra o aumento do preço do transporte coletivo. A Zero Hora noticiava algo como ”maio, 20 anos depois” e, entre um golpe de cacetete e outro, inchávamos também de orgulho pela comparação, totalmente desproporcional mas bem-vinda. Eu tinha 20 anos, presidia o DCE e andava sempre com a mão em forma de “V” da vitória (não, não era paz e amor). Frutos da longa e bela tradição da política estudantil santamariense, eram tempos de 2 mil estudantes na rua. De fato, o preço da passagem baixou. Mas rapidamente o movimento estudantil mudou. Começava, entre outras coisas, a perplexidade da esquerda, este longo processo no qual seguimos mergulhados. Hoje, não encontrei notícias sobre protestos estudantis massivos para colocar no blog. Sei que existem, mas os que ocorreram recentemente na França, por exemplo, são muito mais o lamento dos que temem não poder ingressar na sociedade de consumo do que uma oposição à imbecilidade sistêmica em que vivemos. A rebeldia segue, porém, existindo, fortemente, de outras maneiras. Exemplo: chega a ser rebelde, hoje, a opção pela inteligência, quando se tem escolha; e ainda mais rebelde é o construir-se de modo a ter o máximo possível de escolha. (D.V., SP, 10/05/2008)

Veja imagens das manifestações de maio de 68 em Paris  http://www.youtube.com/watch?v=qbhxy-A22aQ&feature=related

Veja o balanço da atualidade do pensamento de maio de 68, por Nicolas Weil El País, 25/04/2008

Não perca o artigo de Edgar Morin, “Uma revolução sem rosto – Da revolta estudantil à contestação do poder”, publicado no Le Monde, em 5 de junho de 1968  Morin, junho de 68 e uma entrevista sobre o mesmo tema, 40 anos depois, publicada na Folha de S. Paulo (enviada por Emiliano Maldonado, Direito/UNISINOS) Morin, abril de 2008

Participe do Simpósio Internacional O ano de 68 – Permanências e Mudanças http://www.unisinos.br/eventos/1968/index.php?option=com_content&task=view&id=12&Itemid=26&marcador=26
(dica de evento do Lucas Valente e do Hector Soares, Direito/UNISINOS)

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Testemunhos do Araguaia

Imagem: Foto de Sebastião Salgado.  

Nos dias 25 e 26 de abril o Professor do PPGD da UNISINOS José Carlos Moreira da Silva Filho integrou a comitiva da Comissão de Anistia que esteve na região do Araguaia, local onde, no início dos anos 70, ocorreu a Guerrilha do Araguaia. O objetivo da visita era o de tomar o depoimento de lavradoras e lavradores que ingressaram com pedidos de indenização por perseguição política junto à Comissão, haja vista a fraca instrução dos processos. Como se sabe, os moradores da região foram violentamente atingidos pela ação do exército brasileiro quando do combate ao grupo guerilheiro, sendo obrigados a servirem de guias para as tropas, sendo presos, torturados, tendo suas roças e casas queimadas. A operação militar no Araguaia foi a segunda maior da história brasileira, só perdendo para a mobilização durante a segunda guerra mundial. Foram cerca de 3000 a 10000 soldados contra 75 guerilheiros. Com o intuito de compartilhar as suas impressões na segunda visita da Comissão de Anistia à região, o Professor José Carlos redigiu o texto aqui disponível e que se intitula Testemunhos do Araguaia .         

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A “Marcha da Maconha” em Porto Alegre

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Na noite deste último sábado (03/05), às 20h05min, a juíza Laura de Borba Fleck deferiu pedido de Habeas Corpus preventivo impetrado pelos advogados criminalistas Salo de Carvalho e Mariana de Assis Brasil e Weigert. O salvo conduto assegurou, no domingo passado (04/05) a realização da “Marcha da Maconha”, promovida por grupos antiproibicionistas de Porto Alegre. A decisão liminar ainda determinou à Brigada Militar o dever de assegurar a realização da Marcha. A decisão histórica foi baseada na garantia fundamental da liberdade de expressão (art. 5º, incisos IV, IX e XVI da Constituição Federal) e da não constituição desta manifestação como apologia ao crime, como tem sido entendida em muitos lugares do Brasil (ver, por exemplo, a violenta ação da PM mineira no dia 07 de abril contra os estudantes da UFMG quando da exibição do filme “Grass”). Como esclarecem os organizadores da marcha, o principal intuito da manifestação e de outras atividades que vêm sendo organizadas pelo grupo desde 2005 é o de promover a rediscussão da política de drogas no Brasil, sugerindo um deslocamento do âmbito criminal para o da saúde pública. As proibições e ações repressivas que criminalizam essas mobilizações afrontam nitidamente o direito fundamental da liberdade de expressão e colocam em xeque a própria noção de democracia, infantilizando a opinião pública e a sociedade de um modo geral. A atuação dos movimentos sociais não deve ser vista como caso de polícia, mas sim como a necessidade de discutir e enfrentar os inúmeros problemas sociais do país, para os quais muito mais alternativas serão encontradas se os diretamente interessados puderem se manifestar livremente e pressionar as autoridades públicas no rumo das soluções possíveis. Resolver tais problemas simplesmente reprimindo os que chamam atenção para eles realmente não vai eliminar as dificuldades, vai apenas piorá-las. Veja aqui a petição redigida pelo Prof. Dr. Salo de Carvalho e pela Profa. Me. Mariana de Assis Brasil e Weigert, acima está a decisão proferida pela juiza Laura de Borba Fleck. Maiores informações sobre o movimento poderão ser obtidas no endereço http://www.principio-ativo.blogspot.com/

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O homem de ferro e o cinema vira-lata


Há Robert Downey Jr., cuja vida transcorreu entre prisões, clínicas de reabilitação para drogados e estúdios de cinema. O ambiente das primeiras talvez seja mais saudável, mas é de todo modo surpreendente que o Hollywood chame a este grande ator, de sarcasmo e barriguinha evidentes, para um grande papel comercial. Certo, o Iron Man dos quadrinhos é alcóolatra, mas o das telas é apenas um playboy; nem sob este prisma, Downey, de beleza bem menos óbvia que as demais estrelas, e de quem as seguradoras recusam-se a aceitar os contratos, seria recomendável. Há também o estupendo Jeff Bridges. O pianista blasé de Susie e os Baker Boys (Steven Kloves, 1989), ou o adorável maconheiro tardio de O Grande Lebowsky (Irmãos Cohen, 1998), custa a ser reconhecido no vilão da cabeça raspada que brilha em todos os sentidos. De bom, nada mais há. Poderia haver, sobretudo, algo inteligente sobre as armas, principal mote do filme. O super-dotado Tony Stark herdou do pai uma fábrica de armamentos pesados, com os quais acreditava fazer o bem e proteger sua pátria. Um atentado destrói a terna inocência de seus bilhões de dólares: sequestrado e à beira da morte, ele descobre que as armas são uma coisa muito feia. Sobrevive, e então decide parar de fabricá-las. No entanto, para combater os árabes, que no filme são todos mercenários sujos, bocós e cruéis, Stark aperfeiçoa a engenhoca que havia permitido sua fuga do cativeiro e a transforma na mais potente das armas, a que não poderia cair nas mãos erradas: é ele mesmo. Acobertado por um amigo que é comandante das Forças Armadas, o Homem de Ferro sai vingando, matando, invadindo o espaço aéreo alheio e, deleite tipicamente americano, chega a entregar um homem ao linchamento. A seguir (desmentindo Berlusconi, para quem as mulheres de direita são mais bonitas do que as de esquerda, pelo que Il Cavalieri não serve sequer para montaria), um bela jornalista engajada revela ao Cara de Pau que ele mesmo vendia armas aos árabes. Oh ! Stark tem um sócio malvado ! Mas, sendo branco, o vilão não é bocó: copia o Homem de Ferro numa versão trash. Garantido, portanto, o final de apoteótica explosão de violência entre dois montes de lata, diante da mais abobada do que nunca Gwyneth Paltrow. Prefiram ler a HQ original e ver outra coisa. Por exemplo, Downey em A Pele (Steven Shainberg, 2006). E boa sorte com todos os jogos, roupas e quinquilharias que ridicularizarão nossas crianças nos próximos meses. (DV, POA, 04/05/08)

Leia, com urgência, sobre as armas. Por exemplo, http://www.controlarms.org/

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