Chega de Saudade (e de preconceitos)

Há rostos refeitos em botox, que mais parecem paredes mal rebocadas, e há lindas rugas genuínas. Os atritos típicos dos afetos perpassam gerações, enquanto canta Elza Soares, monstruosa em todos os sentidos, com repertório e vitalidade de tirar o fôlego. Ao cabo, o filme é muito melhor do que possa parecer, tão refinado em sua breguice. Nos gestos de suas personagens agri-doces, reconhecemos familiares, amigos e até nós mesmos, reféns das convenções, medos e culpas que obnubilam a comunicação com nossos amores, ou oprimidos pela obrigação de encontrar um amor. A cereja sobre a torta é Clarice Abujamra que, sem dar uma palavra, compõe a antológica madame tangueira. Assista, e depois responda à pergunta feita pelo site do filme: www.chegadesaudadeofilme.com.br A frase mais criativa será premiada com uma viagem à Fortaleza. Mas o verdadeiro prêmio é deleitar-se pensando na reposta: depois do baile, o que nos levaria a entrar ou não entrar na kombi daquele cafajeste bom de lábia? (DV, 29/03/08)

Veja aqui o trailer do filme:

 

E não perca o artigo do psicanalista Contardo Caligaris sobre Chega de Saudade:

CC, FSP 27/03/08 

Postado em Agenda e Eventos, Cinema | Sem comentários »

Deixe um comentário

*

Atenção: a moderação de comentários está ativada e pode demorar para aparecer. Não há necessidade de reenviar seu comentário.