Onda de protestos chega ao Irã

Redação Carta Capital 14 de fevereiro de 2011 às 16:39h

Os exemplos de Tunísia e Egito inspiram mais manifestações em diversos países do Oriente Médio e do Norte da África. Nesta segunda-feira 14, a oposição do Irã ignorou as ameaças do governo e levou milhares às ruas em um ato de apoio aos protestos nos países vizinhos. A internet no país foi derrubada e os relatos mais confiáveis são das agências de notícias e da rede britânica BBC, que tem um correspondente na capital do país, Teerã.

Segundo o repórter britânico, a situação é de “caos” nas ruas e centenas de manifestantes já foram presos pelas forças de segurança. A agência Associated Press foi a única a conseguir, até o momento, uma imagem dos protestos. A foto mostra um veículo incendiado e diversos manifestantes marchando por uma rua da capital iraniana.

No Egito, após a queda do ditador Hosni Mubarak, a polícia finalmente conseguiu esvaziar a praça Tahrir, maior ponto de concentração dos manifestantes que permaneceram por mais de 20 dias nas ruas exigindo a queda do regime. Mubarak e seu vice, Omar Suleiman, renunciaram ao poder na sexta-feira. O ditador ocupava o cargo havia 30 anos. Ele se refugiou na cidade costeira de Sharm El Sheikh e, desde então, uma junta militar governa os egípcios.

Outros protestos
O povo foi às ruas também no Iêmen e na Argélia. Os iemenitas querem o fim do regime de Ali Abdullah Saleh, que comenda o país há mais de três décadas. Ele assumiu depois de um golpe militar. O mandato presidencial é de sete anos, mas a cada votação, Saleh tem sido reeleito. Nos últimos dias, houve uma série de protestos contra o governo.

Na Argélia, o povo protesta pela queda do presidente Abdelaziz Bouteflika, no poder há mais de uma década e acusado de comandar o país de forma autoritária e não democrática. Cultos religiosos não islâmicos são limitados, assim como a ação da imprensa é alvo de proibições. Como no Egito, o governo decretou lei de emergência obtendo amplos poderes, mas promete revogar.

No Barein, milhares de manifestantes também exigiam a queda do regime do rei Hamad bin Isa Al Khalifa. Desde ontem, a polícia tenta conter os protestos. As informações recebidas até o momento dão conta de pelo menos 20 feridos.

(Com informações de Renata Giraldi, da Agência Brasil)

Notícia retirada do sítio (em 14 de fevereiro de 2011): http://www.cartacapital.com.br/internacional/onda-de-protestos-chega-ao-ira

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Sul do Sudão vai às urnas pela independência

Referendo sobre divisão do país começou neste domingo.

Milhares de eleitores começaram a votar no referendo sobre a emancipação do sul do Sudão que acontece a partir deste domingo até o dia 15 de janeiro.

A expectativa é de que a região confirme a separação do norte, criando o mais novo país. Um dos primeiros a voltar foi o líder sul-sudanês Salva Kir.

“Este é um momento histórico, aguardado pelo povo do sul do Sudão”, afirmou, em meio às comemorações.

A votação faz parte do acordo que terminou a guerra civil entre o norte e o sul depois de duas décadas, em 2005.

Emoção

Para muitos, o voto foi um momento emocionante.

“Meu voto é pela minha mãe e pelo meu pai, meus irmãos e irmãs assassinados na guerra”, afirmou Abraham Parnyang pouco antes de votar em Juba, a capital sulista.

“Também voto pelos meus futuros filhos, se Deus quiser, para que possam crescer em um Sudão do Sul que seja livre e pacífico.”

Os líderes do norte do país, de maioria muçulmana, prometeram respeitar o resultado do referendo, que pode criar um país de maioria cristã ou de religiões tradicionais.

No entanto, no sábado, o presidente Omar al-Bashir advertiu sobre o risco de instabilidade no “novo” país.

‘Árabes vão embora’

O eleitor Mawien Mabut, um soldado, afirmou ter visto “a guerra por dentro” e disse que é preciso “parar a guerra agora”.

Ele acrescentou ainda estar feliz “porque os árabes vão embora”.

O sul do Sudão tem altos níveis de analfabetismo, por isso, as cédulas eleitorais apresentam a escolha entre dosi símbolos: uma mão para a independência e duas mãos dadas pela manutenção do Sudão unificado.

No sábado, o líder Kir disse que o referendo “não marca o fim da jornada, mas sim o início de uma nova”.

Ataque rebelde

Em discurso ao lado do senador americano John Kerry, que participou de reuniões com ambos os lados para evitar problemas no processo eleitoral, Kir pediu “paciência” aos eleitores, caso não conseguissem votar logo no primeiro dia.

Observadores afirmaram neste domingo que o processo eleitoral parece estar transcorrendo tranquilamente e com boa organização.

No entanto, um grupo de rebeldes atacou militares sul sudaneses no sábado no Estado de Unity, rico em petróleo.

Um porta-voz militar afirmou que quatro rebeldes morreram.

A ONU confirmou ter recebido relatos de ataques na região, mas não soube informar detalhes sobre as mortes.

Fonte: http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2011/01/110109_sudaodomingoebc.shtml

Acessado em 10 de janeiro de 2011.

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Afastado, representante da OEA critica ONGs e missão de paz no Haiti

Representante da Organização dos Estados Americanos (OEA) no Haiti há dois anos, o brasileiro Ricardo Seitenfus deverá ser oficialmente destituído do cargo em breve – decisão que ele mesmo interpreta como resposta a sua “postura crítica” em relação ao papel da comunidade internacional na recuperação do país caribenho.

O estopim teria sido uma entrevista ao jornal suíço Le Temps, na qual o brasileiro questiona não apenas o papel das tropas da ONU no Haiti, como também dos principais países doadores.

“A Minustah (Missão de Paz da ONU) não pode ser tratada como se fosse uma verdade divina, como se não pudesse ser objeto de reservas”, disse Seitenfus em entrevista à BBC Brasil.

Devastado por um terremoto em janeiro, que deixou mais de 200 mil mortos, o Haiti enfrenta agora uma crise eleitoral: ainda não se sabe como e quando se dará o segundo turno da eleição presidencial, inicialmente marcado para meados de janeiro.

Para o brasileiro, a comunidade internacional está “decidindo” pelo governo do Haiti no processo de reconstrução e as acusações de corrupção no governo local fazem parte de um “discurso ideológico”.

“Criou-se uma comissão internacional para a recuperação do Haiti que até hoje está procurando suas verdadeiras funções.”

Ricardo Seitenfus

“Se a gente imagina que pode fazer isso (reconstruir o país) por meio da Minustah e por meio das ONGs, nós estaremos enganando os haitianos e enganando a opinião pública mundial”, diz.

BBC Brasil – O senhor já foi comunicado oficialmente sobre sua destituição do cargo?

Ricardo Seitenfus – Não, ainda não. Eu tinha decidido não tirar férias agora em dezembro, para estar no Haiti nessa fase delicada da eleição. Mas o secretário-geral (José Miguel Insulza) pediu para que eu tirasse as férias. Concluo que nos dois meses, de fevereiro e de março, previstos para que eu ficasse no Haiti, não ficarei mais.

Mas esse não é o problema. O mais grave é o que está acontecendo agora: o representante da OEA não está no Haiti durante uma crise eleitoral. E eu tenho uma capacidade de diálogo com o governo haitiano que ninguém na OEA tem e que poucas pessoas da comunidade internacional têm.

BBC Brasil – O senhor está no Haiti há dois anos. Houve algum fato mais recente que o tenha levado a adotar essa postura mais crítica?

Seitenfus – Logo após o terremoto, foi feito um trabalho excepcional. Na medida do possível, os haitianos receberam ajuda, socorros… Foi feito um mutirão internacional que foi positivo. No entanto, terminada a urgência, as coisas começaram a não funcionar como deveriam. Em março, houve uma reunião com os doadores, em Nova York, na qual foram recolhidos US$ 11 bilhões para o Haiti. Acontece que esses recursos não chegaram ao país.

Criou-se uma comissão internacional para a recuperação do Haiti que até hoje está procurando suas verdadeiras funções. Enfim, as promessas da comunidade internacional não foram cumpridas. E enquanto isso, a situação dos desabrigados continua a mesma.

BBC Brasil – Isso tudo mudou sua visão dos fatos?

Seitenfus – Eu diria que houve uma tomada de consciência progressiva quanto às nossas limitações e, por que não dizer, de nossos fracassos no Haiti… digo, nós da comunidade internacional.

Além disso, no dia 28 de novembro, dia da eleição, foi discutido na reunião do Core Group (países doadores, OEA e Nações Unidas), algo que me pareceu simplesmente assustador. Alguns representantes sugeriram que o presidente René Preval deveria sair do país e que deveríamos pensar em um avião para isso. Eu ouvi isso e fiquei estarrecido.

O primeiro-ministro do Haiti, Jean-Max Bellerive, chegou e logo disse que não contassem com ele para qualquer solução à margem da Constituição e perguntou se o mandato do presidente Preval estava sendo negociado. E foi um silêncio na sala.

A acusação de corrupção faz parte de um discurso ideológico. Não existe corrupção, existe percepção de corrupção.

Ricardo Seitnefus

Ao meu lado estava o Albert Randim, secretário-adjunto da OEA, ou seja, eu não poderia falar, já que a OEA estava sendo representada por ele. Mas frente ao silêncio dele e dos demais, eu pedi a palavra e lembrei da existência da carta democrática interamericana e que qualquer discussão sobre o mandato do presidente Preval, para mim, seria um golpe. Me surpreendi muito com o fato de o secretário-adjunto da OEA ficar em silêncio diante da possibilidade de encurtamento do mandato de um presidente legitimamente eleito.

BBC Brasil – Mas muitos defendem um governo provisório como solução ao impasse eleitoral no país…

Seitenfus – Eu sempre fui contrário. Um governo provisório não teria legitimidade das urnas e seria o reconhecimento do nosso fracasso. Se depois de quase sete anos (da Missão de Paz no Haiti) nós não conseguimos organizar uma transferência de poder de forma democrática, eu me pergunto como podemos fazer uma avaliação positiva da presença da comunidade internacional, que veio trazer a democracia ao país.

BBC Brasil – Então suas críticas também se estendem à missão de paz?

Seitenfus – Depois do terremoto, a natureza dos desafios haitianos mudou completamente. Estamos diante de um dos maiores desafios… É uma aventura humana reconstruir um país com 10 milhões de habitantes e destruído por uma catástrofe natural. Temos 1,5 milhão de pessoas nas ruas, com 80% de desemprego, a epidemia de cólera.

Não podemos nos restringir aos desafios imaginados em 2004 (início da missão), mesmo erradamente, como uma questão de segurança. A situação é muito mais complicada e exige mais do que uma operação de paz.

BBC Brasil – Mas o governo brasileiro, por exemplo, tem sido contrário a mudanças no mandato da missão… A que se deve essa posição, na sua opinião?

Seitenfus – O sistema internacional não tem instrumentos para enfrentar uma situação como a do Haiti. Temos que trocar de Conselho. Temos que tirar o assunto do Conselho de Segurança e mudá-lo para o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social.

E sobretudo, temos que pensar que o desenvolvimento do Haiti tem que ser feito pelos haitianos. Se a gente imagina que pode fazer isso por meio da Minustah e por meio das ONGs, nós estaremos enganando os haitianos e enganando a opinião pública mundial.

BBC Brasil – Não está se dando o espaço devido ao governo haitiano nesse processo?

Seitenfus - Nem ao governo, nem à sociedade haitiana. O fato de ser solidário não é ser substituto de alguém, é acompanhar alguém. E nós estamos decidindo por eles. Agora estamos nos metendo no processo eleitoral. Deixem as instituições haitianas resolverem seus próprios problemas.

BBC Brasil – Mas existem acusações de corrupção envolvendo a transferência de recursos para o governo haitiano, em episódios anteriores, não? O país não tem certas limitações institucionais?

Nenhum país aceitaria o que os haitianos são obrigados a aceitar.

Ricardo Seitenfus

Seitenfus – Eles têm limitações por nossa culpa. Transferimos todos os recursos via ONGs e não por meio das instituições haitianas. Sem dúvida o Estado haitiano é muito debilitado e ficou pior ainda depois do terremoto, perdendo 30% de seus quadros.

O que temos de fazer? Ter políticas de acompanhamento do Haiti que permitam que esses quadros permaneçam no país. A acusação de corrupção faz parte de um discurso ideológico. Não existe corrupção, existe percepção de corrupção. O Haiti não tem como ser corrupto porque o Estado não possui recursos.

O que se pode questionar é como se administram os recursos que as ONGs recolhem sem prestar contas a ninguém. Esta sim é a grande questão. Faço uma distinção do trabalho que foi feito na emergência, mas essa não pode ser uma política permanente de substituição do Estado pelas ONGs. O Haiti é o Haiti, não é Haitong. Nenhum país aceitaria o que os haitianos são obrigados a aceitar.

BBC Brasil – E qual o papel do Brasil nesse processo?

Seitenfus - O Brasil tem uma responsabilidade muito grande, porque é a primeira vez que temos uma missão de paz tão longa e tão cara para nós, onde pretendemos mostrar uma forma diferenciada de atuar.

O Brasil deveria aproveitar que haverá um novo governo no Haiti e um novo governo no Brasil e fazer um balanço de seis anos e meio de Minustah. Não estou apregoando que o Brasil deva amanhã recolher suas tropas. Isso se faz depois de uma longa discussão, inclusive com o governo haitiano e com as Nações Unidas.

A não discussão é que é o grande erro. Como se a Minustah fosse uma verdade divina, uma iluminação do céu, como se não pudesse ser objeto de reservas. Tenho uma percepção de que a qualidade de uma operação de paz é inversamente proporcional ao tempo de sua duração. Quanto mais uma missão de paz se estende no tempo, menor qualidade ela tem. As boas missões de paz são as curtas missões de paz.

Fonte: Fabrícia Peixoto da BBC Brasil em São Paulo

Informação retirada do site (em 29 de dezembro de 2010): http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2010/12/101228_seitenfus_entrevista.shtml

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Corte Interamericana condena Brasil por desaparecidos no Araguaia

Boa tarde.

Estou divulgando uma notícia que só começou a ser divulgada ontem (14/12/2010) pelos meios de comunicação da internet que tenho acesso. Embora, como ressaltado na própria notícia, a decisão já havia sido pronunciada em novembro.

A Corte Interamericana de Direitos Humanos, órgão da OEA (Organização dos Estados Americanos), divulgou nesta terça-feira a decisão que condena o Estado brasileiro por violações no combate à guerrilha do Araguaia (1972-74). De acordo como o tribunal, o Brasil é responsável pelo desaparecimento de 62 pessoas durante a guerrilha.   No caso, a Corte Interamericana analisou também a Lei de Anistia. Para o tribunal, a anistia brasileira não é compatível com a Convenção Americana sobre Direitos Humanos, que foi assinada pelo país, ainda sob o contexto da pressão dos militares. Para a Corte, “as disposições da lei são incompatíveis com a Convenção Americana, carecem de efeitos jurídicos e não podem seguir representando um obstáculo para a investigação dos fatos do presente caso, nem para a identificação e punição dos responsáveis”.

Pela decisão, o Brasil deverá investigar o caso do Araguaia por meio da Justiça comum e identificar os culpados, que não poderão beneficiados pela Lei da Anistia, contrariando assim recente decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que votou pela validade daquela lei também para quem sequestrou, torturou e assassinou durante a ditadura militar.   A decisão não deve ficar restrita apenas aos crimes cometidos por militares durante a Guerrilha do Araguaia, já que, na sentença, de 126 páginas, consta que as disposições da lei “tampouco podem ter igual ou semelhante impacto a respeito de outros casos de graves violações de direitos humanos”. Assim, outros casos ocorridos durante o chamado “período de exceção” também poderão ser objeto de investigação e punição.   A sentença foi provocada por três ONGs brasileiras – Centro Pela Justiça e o Direito Internacional (CEJIL), Grupo Tortura Nunca Mais do Rio de Janeiro (GTNM-RJ) e Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos de São Paulo (CFMDP-SP) – que protestaram em nome dos familiares dos mortos e desaparecidos na Guerrilha do Araguaia.

A decisão dos sete juízes estrangeiros e o juiz ad hoc brasileiro determina ao Estado brasileiro “a investigação penal dos fatos do presente caso (Guerrilha do Araguaia) a fim de esclarecê-los, determinar as correspondentes responsabilidades penais” e punir criminalmente os responsáveis. Manda ainda o “Estado realizar todos os esforços para determinar o paradeiro das vítimas desaparecidas e, se for o caso, identificar e entregar os restos mortais a seus familiares”. Também prevê pagamento de indenizações aos familiares diretos e indiretos das vítimas. Outra determinação é a da implementação em um prazo razoável de “um programa ou curso permanente e obrigatório sobre direitos humanos, dirigido a todos os níveis hierárquicos das Forças Armadas”.   Foi a primeira vez que uma acusação de crimes de direitos humanos cometidos pelo Estado brasileiro foi julgada em uma corte internacional. A decisão, tomada pelos oitos ministros da Corte, é do dia 24 de novembro, mas apenas foi divulgada nesta terça-feira.

Divulgado em: http://www.jornalagora.com.br/site/content/noticias/detalhe.php?e=6&n=5109

Acesso em 14/12/2010

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PARLASUL contará com a presença dos quatro Ministros de Relações Exteriores do MERCOSUL

Nesta próxima segunda-feira, 18 de outubro, o PARLASUL celebrará sua XXVI Sessão Plenária. A mesma será realizada no Edifício MERCOSUL, sede da instituição, na cidade de Montevidéu, Uruguai.

A Sessão contará com presença dos Senhores Ministros de Relações Exteriores da Argentina, Héctor Timerman; do Brasil, Celso Amorim; do Paraguai, Héctor Lacognata; e Uruguai, Luis Almagro.

Pela manhã, às 11h30min o Sr. Héctor Timerman irá expor acerca dos trabalhos realizados durante a Presidência Pro Tempore argentina no primeiro semestre do corrente ano.

Ademais, às 15horas, o Sr. Celso Amorim dissertará sobre o programa de trabalho acordado, com os objetivos e prioridades previstas para o semestre sob a Presidência Pro Tempore brasileira até dezembro de 2010, com o intuito de fortalecer o diálogo  desenvolvimento da integração do espaço sul-americano.

Dentre os temas a serem consideradas em Plenário encontram-se Propostas de Recomendação acerca de estratégias para a prevenção e controle de doenças; Proposta sobre o uso racional da energia nos países do bloco; e a Proposta referente à criação da Corte de Justiça do MERCOSUL, já iniciada a discussão na XXV Plenária do Parlamento do MERCOSUL.

Parlamento Juvenil do MERCOSUL

O Parlamento Juvenil do MERCOSUL, um Projeto organizado pelos Ministérios de Educação dos Estados Partes, com o apoio da Organização dos Estados Americanos (OEA), tem como objetivo de abrir espaços de participação para que jovens da região realizem um intercâmbio, discutam entre eles/as sobre temas que possuem profunda vinculação com suas vidas presentes e futuras.

O Projeto propõe inaugurar um espaço de diálogo para que jovens compartam sua visão e idéias pela qual participarão mais de 100 jovens entre 15 e 17 anos de Argentina, Brasil, Bolívia, Colômbia, Paraguai e Uruguai.

Os jovens começarão as atividades no sábado, 16 de outubro e  participarão da cerimônia de abertura do evento às 9h30min, que contará com a presença do Presidente da República do Uruguai, José Mujica; do Presidente do Parlamento do MERCOSUL, Aloizio Mercadante; e do Ministro de Educação e Cultura do Uruguai, Dr. Ricardo  Ehrlich.

Durante todo o fim de semana os jovens irão debater e analisar acerca de uma Declaração que será entregue durante a Sessão Plenária na segunda-feira, 18 de outubro, sobre a Escola de Ensino Médio Ideal.

Fonte: Secretaria de Relaciones Institucionales y Comunicacion Social



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Meio ambiente: Vazamento de lama tóxica na Hungria chega ao rio Danúbio

Membro de equipe de resgate caminha na lama tóxica no vilarejo de Kolontar, um dos mais atingidos por desastre. Imagem disponível no site Folha.com

A Folha de São Paulo On-Line (Folha.com) divulgou, hoje, que o vazamento de lama tóxica causado pela ruptura de um reservatório na região sudoeste da Hungria chegou no dia 06.10.2010 ao rio Danúbio, e autoridades tentam agora impedir que a lama se alastre pelos demais países europeus banhados por ele.

Leia, abaixo, a íntegra da reportagem divulgada no site Folha.com, no dia 07.10.2010.

Segundo o governo húngaro, o componente tóxico do lodo tem se diluído, e nenhuma morte de peixes foi registrada até agora nos rios Raba e Mosoni, afluentes do principal rio do país e um dos principais da Europa.

Já no rio Mercal, localizado nas proximidades do vazamento e o primeiro a ser alcançado pela lama, houve mortes generalizadas de peixes. Segundo a unidade regional de desastres, “todo o ecossistema foi destruído, todos os peixes e a vegetação morreram”.

Ao menos quatro pessoas morreram, 150 ficaram feridas e três estão desaparecidas.

A expectativa é que, dado o tamanho do rio Danúbio, o conteúdo tóxico do lixo se dilua a ponto de não causar danos. Autoridades acreditam, inclusive, ser possível uma diluição total antes de as águas chegarem a outros países.

“Com base em nossas estimativas atuais, a poluição deve permanecer contida na Hungria”, disse o diretor do braço húngaro da ONG WWF. “Acreditamos também que chegará a Budapeste em níveis aceitáveis.”

O rio Danúbio atravessa Croácia, Sérvia, Romênia, Bulgária, Ucrânia e Moldova antes de desaguar no mar Negro.

Ontem, a União Europeia (UE) havia manifestado temor de que a lama se alastrasse por outros países. E a Hungria anunciou abertura de investigações pela polícia para determinar as causas do vazamento.

DESASTRE

Mapa do local do vazamento na Hungria. Disponível no link.

Desde o rompimento do reservatório de uma refinaria na cidade de Ajka (160 km a oeste de Budapeste), na segunda-feira, cerca de 1 milhão metros cúbicos de resíduos tóxicos foram espalhados pela região de Kolontar e outras duas vilas.

O vazamento carregou carros nas ruas, danificou casas e pontes, e levou cerca de 400 moradores a deixarem a região. Entre os quatro mortos está ao menos uma criança, de 3 anos. Seis pessoas estão desaparecidas e 120 ficaram feridas –duas em estado grave–, a maioria com queimaduras e irritação nos olhos causada por chumbo e outros elementos corrosivos presentes na lama vermelha. Muitos animais também morreram.

Para o secretário de Estado do Ministério do Meio Ambiente, Zoltan Illés, este é o acidente químico mais grave da história da Hungria. “O vazamento de lama vermelha é uma catástrofe ecológica.”

A lama vermelha é um resíduo do processo de transformação da bauxita em alumina, matéria-prima para a fabricação do alumínio. A produção de uma tonelada de alumínio gera quase três toneladas de lama vermelha.

RECUPERAÇÃO

O governo húngaro estima que serão necessários pelo um ano e milhões de dólares para limpar as cidades atingidas pelo desastre ambiental, que levou à decretação de estado de emergência em três cidades do sudoeste do país.

O premiê Viktor Orban visitou nesta quinta-feira a cidade de Kolontar e disse não ver motivo para a remoção de destroços em ao menos uma parte do vilarejo, uma vez que, segundo ele, será impossível alguém voltar a viver lá.

“É difícil encontrar palavras. Se isso tivesse acontecido à noite, todos estariam mortos”, afirmou Orban.

O premiê voltou a dizer que o desastre é a maior catástrofe ambiental da história da Hungria e descartou que tenha tido causas naturais. “Um erro humano é mais do que provável. A parede [do reservatório] não se desintegrou em um minuto. Isso deveria ter sido detectado.”

Fonte: Folha.com

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Analistas no Equador discutem se revolta policial foi tentativa de golpe ou não

Foto de Freddy Martínez, comandante da Polícia Nacional do Equador, que renunciou ao cargo na última sexta-feira. Imagem disponibilizada no sítio O Globo.

Dois dias depois dos distúrbios que abalaram o Equador e geraram uma polêmica sobre se a revolta de policiais foi ou não uma tentativa de golpe de Estado, analistas e cientistas políticos ouvidos pela reportagem do Opera Mundi em Quito têm opiniões divergentes. Enquanto alguns acham que a insurreição dos agentes era apenas por questões trabalhistas, outras opiniões acham que o que começou como um protesto foi manipulado pela oposição para derrubar o presidente.

Leia, abaixo, a reportagem de Simone Bruno, que foi publicada pelo sítio Opera Mundi, no dia 02.10.2010.

O professor e analista político Simón Pachano, da Flacso, não acredita em um verdadeiro golpe.

“Parece que o que aconteceu na quinta-feira começou como uma demanda salarial dos policiais, que foi muito mal conduzida, de maneira violenta”, disse ele. “Mas também foi mal respondida pelo governo. Não acho que havia um tentativa de golpe de Estado, como disse o governo. Só depois é que se transformou em um fato político”

O analista ressalta ainda a diferença entre as mobilizações da última década no país, e a da véspera.

“Desta vez, praticamente não houve muita gente pelas ruas, inclusive nem apoiando o presidente, coisa que me surpreende sendo um presidente com quase 60% de popularidade. Foi uma atitude passiva das pessoas”, comenta.

A explicação, segundo Pachano, se deve à forte liderança de Correa, que faz com que as pessoas se desmobilizem, entregando a ele as responsabilidades.

“Quem sabe se as pessoas se acostumaram ao fato de ele solucionar tudo. Inclusive, toda a evolução do conflito girava ao redor do que o presidente estava fazendo. No final, foi resolvido como uma medida de forza estimulada por ele. Por isto, acho que nestes termos Correa pode sair fortalecido, mas as instituções democráticas equatoriana, não necessariamente”.

Estratégia política

Já o professor Milton Benítez, da Universidade Católica de Quito, diverge completamente em sua análise. Para ele, o descontentamento policial foi utilizado como uma plataforma política pelo partido Sociedade Patriótica, de Lucio Gutiérrez.

“Aproveitaram-se desta situação para tentar dar um golpe de Estado que, na minha opinião, não teria possibilidade de prosperar”, afirma.

Segundo Benítez, a política de Correa tem se afastado dos interesses dos indígenas, operários e trabalhadores em geral, movendo-se rumo à direita.

“Por isso, vimos fortes agressões verbais entre indígenas e o presidente nos últimos meses. E, por esta mesma razão, os movimentos decidiram retirar o apoio ao presidente”, explica.

Assim, Benítez acredita que os fatos de quinta-feira tenham apanhado o presidente do Equador em um momento perigoso de “falta de proteção social”.

“Os movimentos sociais não estavam dispostos a apoiar Correa, mas, obviamente, tampouco estavam apoiando Lucio Gutiérrez”, sentencia.

Fonte: IHU On-Line

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EUA lembram 11 de setembro em meio a polêmica sobre religião

As vítimas foram lembradas com flores, canções e orações. Imagem disponível no sítio da BBC Brasil.

Os Estados Unidos realizaram uma série de eventos neste sábado para marcar o aniversário de nove anos dos ataques de 11 de setembro de 2001, em meio a polêmicas em torno da construção de uma mesquita próxima ao local do atentado em Nova York e uma ameaça de queima em público do Alcorão.

Leia, abaixo, a íntegra da reportagem divulgada pela BBC Brasil, em 11.09.2010.

Mais cedo no sábado, o pastor Terry Jones anunciou ter desistido dos planos de incendiar o livro sagrado dos muçulmanos, planos que haviam sido bastante criticados nos EUA e em outros países.

Quatro aviões foram sequestrados na manhã de 11 de setembro de 2001 nos EUA por 19 militantes em ataques que mataram quase três mil pessoas em Nova York, no Pentágono em Washington e na Filadélfia.

O maior evento deste sábado ocorre em Nova York, onde em cerimônia atendida pelo vice-presidente, Joe Biden, os nomes das vítimas que morreram nas torres gêmeas do World Trade Center (WTC) começaram a ser lidos.

Nova York

No momento em que o primeiro avião atingiu uma torre do WTC (8h46 horário local, 9h46 de Brasília), sinos soaram por toda a cidade e observou-se um minuto de silêncio.

“Nenhuma tragédia atingiu tão profundamente esta cidade”, disse o prefeito de Nova York, Michael Bloomberg.

“É com a força destas emoções, assim como com o concreto e o aço que trazemos diariamente, que construímos as fundações do futuro a partir das marcas do passado”, disse ele.

A correspondente da BBC em Nova York Laura Trevelyan diz que este deve ser o aniversário mais polêmico e politizado dos ataques até hoje.

Após as celebrações oficiais, devem ocorrer manifestações a favor e contra os planos de construção de uma mesquita e um centro de atividades islâmicas nas proximidades do local do ataque na cidade.

A manifestação contrária aos planos de construção deve ser atendida por políticos ligados ao partido Republicano e a administração anterior, de George W. Bush.

A jornalista afirma que ambos os lados pretendem usar a emoção para realçar seus argumentos.

Alguns parentes de vítimas do ataque manifestaram-se contra os planos enquanto outros o defendem como um símbolo do compromisso americano com a liberdade de expressão.

Obama

O presidente americano, Barack Obama, atendeu uma cerimônia no Pentágono e sua esposa, Michelle, participou de um evento ao lado da ex-primeira dama Laura Bush na Pensilvânia.

O Presidente Obama participou de um evento no Pentágono. Fotografia disponível no sítio da BBC Brasil.

Obama disse que a maior arma dos EUA seria permanecer fiel a seus próprios valores.

“Não foi a religião que nos atacou naquele dia de setembro. Foi a Al Qaeda”, disse ele.

“Não sacrificaremos as liberdades que nos são caras ou nos esconderemos atrás de muros de suspeitas e desconfianças”, afirmou.

Fonte: BBC Brasil

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Ministro do Tribunal de Contas do Brasil participará da XXV Sessão Plenária do Parlamento do MERCOSUL

O Ministro do Tribunal de Contas do Brasil, Augusto Nardes, atendendo a um convite realizado pela Presidência do Parlamento do MERCOSUL, a pedido do Parlamentar brasileiro Sérgio Zambiasi, estará presente no dia 13 de setembro na XXV Sessão Plenária, que se realizará em Montevidéu, Uruguai.
Nardes realizará uma palestra acerca da auditoria conjunta que a Organização das Entidades de Fiscalização Superiores do MERCOSUL (EFSUL) está realizando sobre o trabalho do Fundo de Convergência Estrutural do MERCOSUL (FOCEM).
O convite se fundamenta no inciso 9 do art. 4º do Protocolo Constitutivo do Parlamento do MERCOSUL, que compete ao parlamento regional “organizar reuniões públicas, sobre questões vinculadas ao desenvolvimento do processo de integração, com entidades da sociedade civil e o setores produtivos”.
Desta forma, os Parlamentares do PARLASUL terão a oportunidade de conhecer melhor os procedimentos técnicos de que dispõem os profissionais auditores fiscais, responsáveis pelo acompanhamento e fiscalização das despesas e receitas pertinentes as instituições públicas vinculadas diretamente ao processo de integração regional mercosulino.
Ademais, os Parlamentares poderão efetuar pedidos de informações sobre procedimentos de responsabilidade dos organismos vinculados a estrutura funcional do MERCOSUL, em especial relacionadas com atos ou omissões desses mesmos órgãos, com a finalidade de prestação de contas a sociedade civil dos Estados Partes do bloco.

Controle Orçamentário do bloco
A Parlamentar brasileira Marisa Serrano apresentou uma Proposta de Projeto de Norma referente a este tema, pela qual compete ao Parlamento do MERCOSUL avaliar as contas dos administradores e demais responsáveis pela gestão dos fundos existentes no MERCOSUL e apreciar a sua utilização do ponto de vista da eficácia, eficiência e economicidade, tendo em vista o bem-estar e o desenvolvimento dos povos da sub-região.

Fonte: Secretaría de Relaciones Institucionales y Comunicación Social – Parlamento del MERCOSUR

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Chile: A superação dos trinta e três mineiros

O escritor chileno Ariel Dorfman – autor da novela “Americanos: Los Pasos de Murieta” e do livro “Memorias del Desierto”, que explora a vida dos mineiros do norte do Chile – contextualiza o desastre na mina San José: a secular exploração dos mineiros, a sabedoria organizativa passada de geração em geração. E pede o milagre de que as coisas mudem em seu país. “O mundo maravilhou-se com a maneira pela qual os trinta e três mineiros confinados debaixo da terra de San José se organizaram em turnos, criaram uma hierarquia de mando e elaboraram um plano de sobrevivência usando os talentos e recursos acumulados ao longo de uma vida de trabalho tenaz. Eu confesso, em troca, não sentir surpresa alguma. É assim que os trabalhadores chilenos sempre resistiram e sobreviveram aos desafios mais formidáveis”.

Leia, abaixo, o artigo que foi publicado pelo jornal Página/12 e reproduzido por Carta Maior, em 05.09.2010.

Uma vida inteira. Creio que os trinta e três mineiros sepultados nas profundidades da mina San José,no Chile, prepararam-se durante toda sua vida para enfrentar o desafio de ficar vários meses debaixo da terra. Ou talvez possa me aventurar a dizer que essa é uma batalha que vêm travando desde antes mesmo de nascer.

A epopéia de homens que descem às trevas da montanha, separam minerais em meio à escuridão e sofrem um acidente que os deixa a mercê daquela escuridão é parte do DNA do Chile, uma parte integral da história do meu país. Foi uma das primeiras coisas que aprendi sobre o Chile, quando cheguei a Santiago, em 1954, aos doze anos de idade.

Abram seus livros até encontrar “El Chiflón del Diablo” – nos pediu um professor es espanhol. Um conto de Baldomero Lillo, publicado em 1904.

Era um relato de uma catástrofe semelhante a esta que, muitas décadas mais tarde, no dia 6 de agosto de 2010, afetaria os mineiros de San José. Ali se encontra uma tragédia que iria se repetir interminavelmente, como a terra devora aqueles que se atrevem a mergulhar em suas entranhas, uma exploração da miséria que, como tantos outros contos clássicos escritor por Baldomero Lillo no início do século XX, todo estudante chileno deve estudar. É claro que aqueles trinta e três mineiros não sabiam quando leram “El Chiflón del Diablo” no colégio que algum dia teriam que viver esse terror na realidade de suas vidas e não na literatura. Não podiam adivinhar que, mais de cem anos depois de Baldomero Lillo imaginar essa ficção, as precárias condições da vida mineira, a exploração humana, os riscos para os trabalhadores, seguiriam essencialmente inalterados.

A mineração forjou o Chile

Os conquistadores que fundaram as primeiras cidades cruzaram desertos alarmantes e vales proibidos em busca de ouro. Depois passou a se apreciar o valor de outros minérios: o ferro, que era fundido em altos fornos, o cobre que ainda hoje é o principal produto de exportação do Chile, e o carvão do Sul, sobre o qual Lillo escreveu e que foi crucial para os barcos que aportavam para se reabastecer a caminho de uma Flórida presa à febre do ouro. De fato, muitas das técnicas utilizadas na Califórnia, a partir de 1849, deveram-se a chilenos que nasceram e se criaram em Copiapó, perto de onde hoje se encontra a mina San José. Milhares e milhares deles partiram aos Estados Unidos com a repentina ilusão de enriquecer.

Mas, de todos os minerais, foi o salitre que, acima de todos os outros, criou o Chile da modernidade. Essas extensões de crosta salina no Atacama, o deserto mais seco do mundo, constituíam a base para o melhor fertilizante conhecido pelo homem e, além disso, serviam para fabricar explosivos. Centenas de pequenas cidades se levantaram nas planícies pedregosas do Pampa “salitrero” e milhões de toneladas foram enviadas a uma Europa atada a uma revolução industrial que necessitava desesperadamente aumentar sua produção agrícola. Algumas décadas mais tarde, como ocorre com tanta freqüência na América latina e outros lugares tristes do planeta – pensemos na borracha do Amazonas ou na prata de Potosí -, diminuiu a demanda de salitre e só restaram alguns povoados fantasmas, uma diáspora de casas raquíticas esparramadas pelo deserto, uma legião de vidas em ruínas.

O nitrato deixou algo mais do que desolação detrás de si. O mundo maravilhou-se com a maneira pela qual os trinta e três mineiros confinados debaixo da terra de San José se organizaram em turnos, criaram uma hierarquia de mando e elaboraram um plano de sobrevivência usando os talentos e recursos acumulados ao longo de uma vida de trabalho tenaz. Eu confesso, em troca, não sentir surpresa alguma. É assim que os trabalhadores chilenos sempre resistiram e sobreviveram aos desafios mais formidáveis. É o legado daqueles que extraíram o salitre em uma situação de solidão e pobreza, daqueles que, na época em que Baldomero Lillo escrevia sobre os tormentos dos mineiros, souberam estabelecer os primeiros sindicatos, os primeiros grupos de leitura, os primeiros jornais da classe operária. Essas lições de unidade, força e ordem e, sim, astúcia, foram passadas de pai para filho e neto: o que todo homem precisava saber para superar os desastres que o esperavam em um mundo sem misericórdia.

Por certo, uma sorte piedosa visitou os trinta e três mineiros neste dia de agosto, quando a montanha veio abaixo. Mas não foi a sorte que os manteve com vida. Dentro deles se encontrava o treinamento invisível, o alento de seus ancestrais, que se perpetuaram para murmurar-lhes o que deviam fazer para não morrer uma e outra vez na obscuridade. Houve um milagre em San José, mas por a ênfase tão somente na fortuna benigna é perder de vista o que pode ser talvez o significado mais recôndito do que ocorreu nesse lugar, e que segue ocorrendo, é deixar de lado as perguntas que verdadeiramente importam.

Como é possível que, mais de um século depois de os contos de Baldomero Lillo denunciarem as circunstâncias ferozes em que se trabalhava sob o solo, ainda persistam a mesma insegurança, os mesmos perigos? Quantos novos acidentes como este faltam ocorrer para que se legisle preventivamente e os mineiros possam tocar seu trabalho cotidiano sem arriscar suas vidas de uma forma indecorosa?

Esses trinta e três mineiros são agora heróis nacionais e internacionais, com todo o Chile, e uma boa parte do mundo, acompanhando seu progresso paulatino rumo à luz do dia. Devido a uma dessas coincidências que a história nos oferece de vez em quando, esses homens ficaram presos no preciso momento em que as últimas estatísticas demonstraram, para nossa vergonha, que a pobreza no Chile aumentou drasticamente pela primeira vez desde que Pinochet deixou de ser o ditador do país.

É demasiado sonhar que as tribulações desses homens perturbarão a consciência do Chile, que ajudarão a criar um país onde, dentro de cem anos, os relatos de Baldomero Lillo e a história dos trinta e três mineiros de San José serão coisa do passado, uma relíquia, algo lendário mas já não rotineiro?

Isso sim é que seria um milagre.

Fonte: IHU

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