RSS no sítio do IHU

Com o objetivo de reunir informações de diferentes sites em uma única tela, o Really Simple Syndication, ou RSS, surge como alternativa para que usuários se mantenham bem informados de forma mais prática.

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O RSS permite que os responsáveis por sites e blogs divulguem notícias ou novidades armazenando um arquivo, com as informações, chamado feed. O interessado em obter as notícias deve incluir o link do feed do site, que deseja acompanhar, em um programa leitor de RSS ou agregador, que é mais comumente encontrado em navegadores de internet. Este programa tem a função de ler o conteúdo dos feeds que indexa e mostrá-lo em uma única interface.

O sítio do IHU já conta com essa novidade. Para assinar o feed RSS das Notícias do Dia do sítio clique aqui. Selecione o local que deseja inscrever o RSS, clique em “Inscreva agora” , e passe a acompanhar notícias, artigos e entrevistas veiculadas na mídia do Brasil e do mundo, em uma seleção preparada pela equipe do instituto.

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Tecnologia pode estar nos deixando tristes

“A era da melancolia”. Foi assim que o psicanalista Daniel Goleman definiu a nossa era. E um artigo publicado na revista The New Scientist desta semana, de autoria do especialista Yair Amichai-Hamburger, de Israel, levanta a hipótese de que nós, seres modernos, poderíamos ter nos tornado escravos da tecnologia que criamos. E isso poderia estar nos deixando tristes e deprimidos.

De acordo com o resumo do artigo publicado no site Blue Bus, Amichai-Hamburguer afirma que a geração atual sofre muito mais de problemas relacionados à depressão do que as anteriores e acredita que a tecnologia seja responsável por esse mal.

Quando permitimos que nossos e-mails de trabalho entrem em nosso telefone celular a qualquer hora do dia ou da noite, invadindo momentos que deveriam ser de descanso e relaxamento, ficamos estressados e ansiosos. Em série, isso acaba nos fazendo reféns de informações – que nem sempre são de fato úteis. Checar e-mails de 2 em 2 minutos quando há horas não chega nenhuma nova mensagem seria um comportamento típico dessa ansiedade.

O especialista dá em seu artigo algumas dicas para prevenir o estresse causado pela tecnologia – a principal delas é fazer com que ela trabalhe para você e não o contrário – por exemplo, verificar o e-mail porque tem mesmo vontade ou há algo a ser visto, e não porque algum impulso compulsivo o leva a fazer isso.

Segundo ele, os psicólogos Edward Deci e Richard Ryan, da Universidade de Rochester, de Nova York, indicaram três elementos vitais para o desenvolvimento e o bom funcionamento da saúde pessoal. E que podem ser usados para reequilibrar nossa relação com a tecnologia. São eles: autonomia (sentimento de que nossas atividades são escolhidas e endossadas por nós), competência (crença de que nossas ações têm efeito) e conexão afetiva (relatedness, nossa necessidade de nos sentirmos próximos a outras pessoas).

(Por Moisés Sbardelotto)

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Comendo de um… tudo: Não ao desperdício de alimentos

Um mundo dividido entre a fome e o desperdício de alimentos. Infelizmente, esta é nossa realidade. Mas, pensando em mudanças culturais de hábitos alimentares, o projeto “Comendo de um… tudo” se propôs a conscientizar a população para um futuro sem fome.

Um vídeo feito pelo diretor Fábio de Seixas Guimarães, apresenta de forma descontraída como perdemos saúde toda vez que jogamos as cascas e os talos de frutas e legumes fora. No curta, de 15 minutos, pai e filha descobrem na cozinha de sua casa refeições mais baratas e nutritivas a partir do uso integral dos alimentos.

O projeto transformou o vídeo em mais de 2.500 DVDs, que serão distribuídos gratuitamente em Escolas e TV Públicas, ONGs e outras Organizações sem fins lucrativos. As dicas trazidas pelo vídeo são dos Programas de utilização integral dos alimentos do SESI (CozinhaBrasil e Alimente-se Bem). O Projeto foi aprovado na Lei Rouanet – PRONAC 08.5019/ Secretaria do Audiovisual/Ministério da Cultura, e é patrocinado por diversas empresas nacionais.

Veja receitas e saiba como participar. Clique aqui e entre no blog do projeto.

Confira abaixo um trecho do curta:

(por Juliana Spitaliere)

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O Twitter vai mudar a forma como vivemos

O sítio Blue Bus destaca que a revista Time da próxima semana dedica sua capa ao Twitter.

Time

Segundo a revista, o serviço de microblogging “vai mudar a forma como vivemos”. A revista vê o impacto não apenas em nossas vidas pessoais e na comunicação com nossos amigos e seguidores, mas também nos negócios.

“À medida em que o Twitter crescer, vai se tornar cada vez mais um espaço onde as empresas construirão marcas, farão pesquisa, mandarão informações aos clientes, farão vendas e criarão comunidades para seus usuários. Alguns setores, como o varejo local, poderão ser transformados pelo Twitter”, afirma a matéria.

Para a Time, o que há de mais interessante a respeito dessa plataforma é que nós, usuários, estamos utilizando o sistema para fazer coisas com as quais os seus criadores nunca sonharam.

“Em poucas palavras, o mais fascinante a respeito do Twitter não é o que ele está fazendo conosco. É o que nós estamos fazendo com ele”.

(por Moisés Sbardelotto)

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A crise do papel (da imprensa)

A crise também está chegando aos grandes grupos editoriais. Dois grandes grupos norte-americanos anunciaram há poucos dias mudanças no seu quadro de funcionários e na sua forma de produzir a notícia impressa.

A The New York Times Co, controladora do jornal New York Times, vai cortar 530 empregos com o fechamento de um centro de distribuição responsável pela entrega do jornal na região da cidade de Nova Iorque. Com a medida, o grupo pretende economizar US$ 30 milhões anuais. Além disso, vai hipotecar sua sede em Manhattan, levantando empréstimo de USD 225 milhões com o objetivo de melhorar o fluxo de caixa.

Já o inglês Financial Times está oferecendo à sua equipe um programa de demissão voluntária, além de congelar salários a partir de um determinado patamar. Quem preferir, porém, pode “optar” por trabalhar menos dias por semana. O objetivo é reduzir custos em função da crise financeira, segundo matéria do sítio Brand Republic.

E grupo Tribune, dono do Los Angeles Times e do Chicago Tribune, pediu concordata, em razão de suas dívidas. O grupo já vinha sofrendo com a queda na receita com venda de publicidade e o declínio da circulação, conforme nota do sítio Blue Bus.

Em outros casos, os sintomas são mais lentos. A americana U.S. News & World Report, que já foi a terceira maior revista semanal dos EUA, passará a ser um título mensal. Em junho, a revista tinha deixado de ser semanal para ser quinzenal. E ela não é a única publicação a passar por dificuldades. Segundo o sítio WWDMedia, a revista de moda Men’s Vogue será absorvida pela Vogue.

E a famosa revista de negócios Portfolio não fechou por pouco: no entanto, dispensou editores, redatores e quase toda a redação online – e reduziu o numero de edições para 10 por ano.

Resta esperar para ver como será a reação das publicações nacionais e regionais. (Moisés Sbardelotto)

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Promiscuidade com bens públicos e a mídia

Por Graziela Wolfart, jornalista

Um episódio recente tem provocado em mim reflexões sobre a política nacional e o envolvimento da mídia nessa revoltante e nojenta corrupção que temos assistido.

Na semana passada, no Jornal Nacional da Rede Globo, ouvi algo que achei, no mínimo, ridículo. Quando o ministro Tarso Genro criticou o fato de apenas uma emissora de TV (no caso, a Globo) estar presente no ato da prisão de Daniel Dantas (a primeira!), gravar e transmitir as imagens, o jornalista William Bonner defendeu a Globo, afirmando que ela foi a única a estar lá pelo mesmo fato de ser a única a conseguir uma entrevista exclusiva com Ingrid Betancourt: “trabalho árduo, competência e credibilidade”. Para mim, ele quis dizer, nas entrelinhas, que as outras emissoras não fazem um trabalho árduo e competente. Fiquei realmente indignada com essa estupidez, justamente por saber que não se trata disso, pelo menos não nesse caso. Trata-se de privilégio!

Com o objetivo de refletir e ter certeza da minha opinião sobre essa “selva”, escrevi a um jornalista que admiro muito: Ricardo Boechat, que diariamente está na BandNews FM e é âncora do telejornal noturno da Bandeirantes. Ele confirma o que eu já pensava quando escreve que “a emissora do Jardim Botânico é flagrantemente privilegiada pela Polícia Federal em operações de qualquer natureza”. No entanto, Boechat abre meu horizonte e chama a atenção para outro ponto, ainda mais interessante: “Se uma equipe da Globo flagra uma batida policial, porque soube que ela seria deflagrada, não há como impedir que receba os méritos pela exclusividade. Mas se a instituição só aciona a Globo, e só a ela dá acesso aos locais das operações, bem como aos documentos, imagens e áudios das investigações, então o que está acontecendo é uma enorme promiscuidade com bens públicos, já que todas essas peças processuais são obtidas com recursos públicos. É essa relação promíscua que vem sendo denunciada há anos por todos os meios de comunicação. A PF dá uma gravação para a Globo e, quando você vai pedir também, enfrenta as maiores dificuldades. O mesmo para imagens, escutas, acessos a áreas de operação, etc. etc.”

Revoltante, não? Além de matar sangüinariamente, nossa polícia favorece e alimenta o monopólio e o poder da Rede Globo. O ministro Tarso Genro solicitou abertura de inquérito para investigar se houve vazamento de informações por parte da polícia para a Rede Globo.
O jornalista Cesar Tralli, da Rede Globo, será chamado a depor, pois foi ele quem comandou a cobertura do caso. O repórter sabia antecipadamente dos mandados de prisão, e de busca e apreensão às casas dos banqueiros Daniel Dantas e Naji Nahas, e do ex-prefeito Celso Pitta. Tralli também teve acesso ao conteúdo das decisões judiciais que permitiram a operação. É a segunda vez que o jornalista tem acesso ilegal e privilegiado a uma operação sigilosa da Polícia Federal. Em setembro de 2005, quando da prisão de Flavio Maluf, ele foi flagrado no exato momento da operação usando boné e roupas semelhantes às usadas por policiais federais. Somente ele presenciou e gravou a prisão do empresário. Segundo o site Folha Online, o jornalista teria um parente de primeiro grau na cúpula da Polícia Federal. E então, onde será que essa investigação chegará?

Como jornalista e cidadã brasileira estou revoltada e beirando o descrédito total nas instituições.

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Refletindo sobre a Mídia Livre. Um olhar esperançoso.

Jesús Martín-Barbero, em seu livro La educación desde la comunicación (Bogotá: Editora Norma, 2003), afirma que tanto a comunicação quanto a educação passam a ter, a partir de suas reflexões feitas no Fórum Social Mundial de 2002, um estranho cenário em que o mundo da política se transforma na utopia política do mundo, uma presença articuladora e estratégica nesse mundo. Para o autor, a aprendizagem adquirida ao longo da vida exige novos modos de relação entre conhecimento e a produção social, as novas modalidades de trabalho e a reconfiguração dos ofícios e profissões. Essa reflexão me fez lembrar das entrevistas que fiz para o IHU com Ermanno Allegri e com a professora da UFRJ Ivana Bentes, assim como a revista sobre Mídia Livre produzida pela IHU On-Line. O discurso sobre Mídia Livre, apesar de recente, é muito interessante e dá a nós, jovens estudantes de jornalismo que acreditam na força que a comunicação social tem para tornar aquele mundo sonhado no Fórum Mundial Social realmente possível, uma esperança em relação a nossa responsabilidade em relação à informação e, principalmente, à notícia que divulgamos. Muitos de nós não sabem o que fazer com o jornalismo ao se deparar, na academia, com uma profissão que beira a “burrocracia”.

Diante da realidade da comunicação social brasileira e latino-americana, quase estávamos perdendo as esperanças. Esse novo debate, que pensa numa mídia livre, colaborativa e educadora, vai ao encontro do que pensa Martín-Barbero, ou seja, essa discussão pensa a comunicação como um importante espaço de troca, mas, principalmente, de educação. O espaço dado ao debate ainda é pequeno nas universidades gaúchas, cresce nas universidades públicas do centro do país e tenta se estender para o norte e nordeste brasileiro a fim de compreender seus próprios objetivos e perspectivas. Os discursos se espalham hoje por blogs, sítios e até pelo orkut, na esperança de engajar mais e mais adeptos a essa importante inflexão que as pequenas mídias fazem a partir da força social que têm. Certamente, por um bom tempo ainda diálogos acerca dessas propostas devem ser feitos, porém vislumbrar que a comunicação começa não apenas a perceber o espaço que ocupa na educação, mas passa a se refletir a partir desse espaço, dá um novo ânimo para aqueles que, como eu, ainda acreditam na força e na responsabilidade que tem um jornalista.

Greyce Vargas

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MST debate comunicação na Unisinos

A Semana da Comunicação da Unisinos prometia abranger as mais diversas áreas de atuação dos profissionais formados pela universidade com seus debates e oficina agendados na programação. Conseguiu um pré-debate ao chamar a assessora de imprensa do MST Raquel Casiraghi e o assentado Vicente Willes para falar sobre o processo de comunicação do movimento e sobre como é a atuação dentro da assessoria de imprensa do MST.

Digo um pré-debate pelo fato de que algumas pessoas terem tentado levantar um debate acerca do fato da universidade trazer para o evento um movimento como o MST, tão criticado pela mídia tradicional e incompreendido pela sociedade em geral.

Coordenador da mesa do debate que, finalmente, ocorreu na noite do dia 03-06-208, estava o professor de Teorias da Comunicação, Redação Jornalística e Assessoria de Imprensa, Pedro Osório. Para ele, o Movimento dos Sem Terra é reconhecido pela competente comunicação que desenvolve na medida em que tem conseguido estar presente na mídia e lutado apresentar suas idéias. Cerca de 300 alunos de comunicação assistiram à apresentação. Todos eles ouviram Vicente contar sobre a história do movimento.

“É preciso conhecer o MST além do que as mídias tradicionais apresentam”, disse ele aos alunos. Vicente apontou ainda os quatro principais focos do movimento e afirmou que o MST não vive só de ocupações, como mostra a mídia. “O MST luta pela educação, pela produção, pela formação e pela comunicação. A comunicação é nossa melhor forma de dizer ao povo como deve ser a nossa sociedade”, relatou.

Já a assessora de imprensa Raquel Casiraghi falou das estratégias de comunicação utilizadas pelo movimento assim como os objetivos da comunicação dentro da instituição. “A comunicação do MST pretende contribuir na auto-organização do movimento assim como a divulgação de suas ações, que não se limitam às ocupações, embora praticamente apenas isso seja noticiado pelas grandes mídias”, comentou. Infelizmente, a palestra ficou aquém do que poderia ter proporcionado para os alunos, ou seja, poderia ter refletido melhor sobre a importância não dada ao movimento pelas grandes mídias e, principalmente, sobre a importância de compreender também como atua o profissional de comunicação dentro de uma instituição como o Movimento dos Sem Terra.

O sítio do IHU conversou também com Raquel. Confira a entrevista nas Entrevista do dia de hoje!

(O texto é de Greyce Ellen Vargas)

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Mídia livre e grande imprensa

“Não faço essa distinção entre o que você chama de mídia livre e grande imprensa. A maioria dos blogs de notícias, por exemplo, está a serviço de alguma causa, algum partido, uma ideologia”. A afirmação é de Ricardo Noblat, jornalista, em entrevista concedida à revista IHU On-Line desta semana cujo tema de capa discute o que se tem chamado de Mídia Livre.

Comentando os blogs, Noblat constata que “há blogs para tudo. Assim como a mídia tradicional, eles também espelham a ideologia dos seus titulares”.

Segundo ele, “jornalismo se faz em tempo integral. Notícia não tem hora para acontecer. O aspirante a jornalista deve entender isso. Assim como o aspirante a médico, por exemplo. Se feito com paixão, o jornalismo consome a maior parte da energia de quem o exerce”.

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O sonho da democracia na mídia

O sentimento de aversão à grande imprensa uniu, na última quinta-feira, 20-03-08, um grupo de quase 50 pessoas, entre jornalistas e profissionais que atuam em mídias alternativas, além de estudantes. O encontro aconteceu no DCE da UFRGS, em frente à Faculdade de Economia, em Porto Alegre. Entre tantos questionamentos sobre a função da mídia, quatro preocupações foram comuns entre o grupo: a) como garantir a diversidade da informação; b) a má qualificação dos profissionais de jornalismo; c) maneiras de fortalecer a mídia alternativa; e d) a criação de uma legislação que garanta recursos para a pequena imprensa. O encontro não trouxe soluções, mas proporcionou o debate pouco existente dentro dos cursos de comunicação.

Sobre o evento promovido pela Carta Maior e coordenado por Joaquim Palhares, gostaria de lançar alguns comentários, que considero importantes para as questões apresentadas no encontro, mas sem pretensão de trazer respostas definitivas.

Em poucas disciplinas do curso de jornalismo, vi um debate apurado sobre como construir uma mídia que realmente cumpra seu papel de informar com dignidade e proporcionar a reflexão. Mas uma coisa sempre esteve clara: a sociedade brasileira carece de informação de qualidade, de discussões. Talvez isso justifique, em parte, a formação de profissionais despreparados, inexperientes intelectualmente e “mal formados”, como disse o professor Marcos Dantas, da PUC-Rio, na ocasião.

Hoje, poucos estudantes de jornalismo têm oportunidade e vontade de trabalhar com mídias alternativas. No entanto, em contrapartida, são, em geral, os grandes meios de comunicação que garantem, bem ou mal, o salário, muitas vezes precário, a esses “especialistas técnicos”. Antes de criticar os jornalistas recém-formados, também precisamos levar em consideração as questões econômicas, afinal de contas o mercado está superlotado e, apenas na região metropolitana de Porto Alegre, cerca de 200 novos jornalistas concluem, anualmente, o curso. Para onde vão todos esses profissionais? As mídias alternativas, como sabemos, carecem de recursos financeiros e conseguem remunerar poucos jornalistas.

Mesmo não concordando com a linha editorial de determinados veículos, jovens profissionais submetem-se a esse trabalho por questões salariais que estão muito acima de posições ideológicas, pelo menos para a grande maioria dos recém-formados. Afinal de contas, ideologia não enche barriga e tampouco paga contas. É triste, mas se trata de uma realidade que deve ser levada em consideração. Isso porque a lógica do capitalismo ainda é, embora muitos sejamos contrários a ela, predominante. Assim, trata-se muito mais da vontade pessoal do jornalista de se engajar com algumas mídias ou atuar no mercado comandado pela grande imprensa.

Concordo com o professor Dantas quando ele diz que a própria universidade forma jornalistas precários. Porém, devemos considerar que a falta de qualificação dos profissionais é conseqüência de um problema muito maior que esbarra, por exemplo, nos programas de estágios oferecidos pelas universidades em parceria com grandes grupos midiáticos. Os impasses colocados pelo sindicato, referentes à tal proibição dos estágios no jornalismo, também engessam o futuro profissional, sem falar da maioria dos professores que nos preparam para atuar apenas nesses meios de comunicação. Das quase 50 disciplinas que cursei na faculdade, três demonstravam a preocupação de orientar os estudantes e apresentar-lhes outras possibilidades de trabalho, como mídias alternativas, por exemplo. Dessas poucas disciplinas, uma nem era obrigatória.

Quando falamos em garantir a diversidade da informação, é consenso que isso só será possível com a ampliação das chamadas mídias alternativas. Com isso, de qualquer modo, surge outro questionamento: como dar visibilidade para esses veículos? A internet tem sido um bom meio de interação entre as mídias e os leitores. Levando em consideração esses problemas, o encontro do dia 20 de março propõe que a única maneira dos pequenos conquistarem espaço no mercado se dará através da união. Quero deixar bem claro que aqui não se trata de unificar pensamentos, mas sim respeitar a diversidade e a opinião de todas as mídias, como esclareceu Palhares, logo no início do encontro.

Ainda vamos discutir muito sobre esse assunto, mas a diversidade da informação só será garantida quando o processo de formação qualificado começar dentro das universidades. Mas, com a crise do ensino e a precariedade das instituições, esse sonho de formar jornalistas competentes fica cada vez mais distante. Esse é, sem dúvida, um desafio para o jornalismo do século XXI.

Postado por Patricia Fachin 

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