Um conjunto de reportagens reproduzido hoje no sítio do IHU dá conta da rápida mutação por que passa a escola. Por detrás das mudanças está a Revolução Informacional. Foi-se o tempo em que a atividade do professor resumia-se substancialmente a sala de aula.
Cada vez mais, para além das atividades convencionais,o professor precisa criar conteúdos exclusivos para os alunos seguirem na internet, publicar todas as aulas e tirar dúvidas on-line, ou seja, quase o mesmo tempo em que o professor passa em sala de aula, passa agora defronte ao computador e, pior, sem remuneração. O uso intensivo das novas tecnologias nas escolas é uma tendência irreversível. Avança rapidamente no ensino privado, mas chegará também ao ensino público.
As escolas privadas que não acompanharem o ritmo ficarão para trás. A educadora Marta de Campos Maia diz que os alunos “querem tudo muito rápido, muito veloz. Hoje, se você demora para entregar uma avaliação ou para dizer como ele foi no trabalho, ele vai reclamar e reclamar muito. Ele quer do professor um contato, uma integração”.
Estamos diante do trabalho imaterial. A capacidade de interação, de iniciativa, de disponibilidade, de ativação, é requerente no modo de ser no trabalho das escolas e o educador não deve se contentar em reproduzir as capacidades predeterminadas e prescritas apenas em sala de aula. Agora se coloca em pauta os requisitos da mobilidade, da flexibilidade, da adaptabilidade, capacidade de interação e talento comunicativo.
Aqui surge também outro problema. As escolas não fazem a mínima idéia de como calcular o valor desse trabalho em casa. O uso cada vez maior de recursos tecnológicos traz a tona o problema da jornada de trabalho e a sua remuneração. “Fico em contato com alunos até a meia-noite por meio dessas ferramentas. Sem ganhar nada pelo trabalho extra”, diz uma professora na reportagem.
No trabalho imaterial, o tempo de trabalho já não é necessariamente medido, pois o tempo de trabalho – aquele prescrito em sala de aula – e o tempo de não trabalho, que se realiza fora da escola, confundem-se cada vez mais. “Antes o professor preparava a aula e colocava a matéria na lousa. Hoje, ele faz no Power Point e coloca na sala virtual. Isso não tem que ser remunerado”, diz um diretor. Será? E como fica o tempo de preparação desse Power Point? Ele cria esse conteúdo no colégio, em casa?
”A situação está confusa”, resume outra diretora. E está mesmo. Com a Revolução informacional assiste-se a uma ruptura da concepção de trabalho da sociedade industrial.
Postado por Cesar Sanson


