O Estado financiador

A série de reportagens publicadas hoje no sítio do IHU dando conta da incorporação no setor sucroalcooleiro da Brenco pela ETH Bioenergia, controlada pelo Grupo Odebrecht, e a disposição da Petrobrás e do BNDES em reforçar a operação dá sequência ao processo de reorganização do capitalismo brasileiro que se caracteriza nesse momento pela ativa participação do Estado na constituição de novos ‘global players’ em diferentes ramos da atividade econômica.

Com o governo Lula, particularmente em seu segundo mandato, o BNDES e os Fundos de Pensão vêm sendo decisivos para a conformação de alguns grupos econômicos que em comum, na maioria dos casos, têm o Estado como o indutor do negócio, seja através de empréstimos ou compra de ações. Em outros, o Estado é o facilitador ou ainda assume o papel de sócio. Em todos eles, a ação privilegia o fortalecimento do capital nacional frente ao capital transnacional.

Entre os casos, destacam a criação da supertele nacional – fusão da Oi com a Brasil Telecom; a formação da Brasil Foods (incorporação da Sadia pela Perdigão) com forte apoio do Estado via apoio do BNDES e fundos de pensão, também na área da alimentação, o Estado através do seu braço financiador, o BNDES vem fortalecendo dois gigantes,  o grupo Marfrig e o grupo Bertin. Já no setor petroquímico assiste-se, o fortalecimento da Braskem grupo de capital privado pertencente  a Odebrecht que tem o Estado como sócio através da participação da Petrobras.

Na área do papel e celulose o governo vem estimulado a formação de fortes grupos privados, com recursos públicos do BNDES o governo apoiou a fusão entre a Votorantim Celulose e Papel (VCP) – controlada por Ermírio de Moraes – e a Aracruz.

Esses são alguns casos, entre outros, que configuram a orientação do governo em estimular a criação de empresas nacionais fortes, competitivas, com escala de produção suficiente que lhes dê um papel relevante no mercado mundial.

Postado por Cesar Sanson

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Economia e ética. Jean-Yves Calvez comenta a encíclica

Para Jean- Yves Calvez, todos os pontos levantados por Ratzinger nesta encíclica constituem “um encorajamento a tomar, sem hesitar, as medidas intervencionistas e corretivas que deveriam impedir o retorno de semelhantes crises”.

Ele concedeu a entrevista, por email, à IHU On-Line.

Jean-Yves Calvez é um jesuíta com uma trajetória de vida dedicada à reflexão sobre os grandes problemas sociais da humanidade. Ele, profundo conhecedor do marxismo, é autor de uma obra clássica sobre O Capital de Karl Marx. É autor de inúmeros livros, entre eles, foram publicados no Brasil A Economia, o Homem, a Sociedade (Loyola, 1995) e Política. Uma Introdução (Ática, 1997). Calvez é um proeminente especialista no Ensino Social da Igreja.

Confira a entrevista.

IHU On-Line – Quais são as ideias centrais da nova encíclica de Bento XVI (Caritas in veritate)?

Jean-Yves Calvez – São tratados diversos temas. No início, pelo menos, o principal é o desenvolvimento. O que pode provocar surpresa, sabendo-se que a problemática globalização dos economistas liberais se desenvolveu, com frequência, em contradição às políticas voluntaristas de desenvolvimento: era-lhes oposto o caráter automático dos avanços das economias sob o impacto da abertura das fronteiras. O papa rende ao desenvolvimento suas cartas de nobreza; ele revaloriza, aliás, a grande encíclica do desenvolvimento, a Populorum progressio, e seu autor, o Papa Paulo VI, muito pouco citado na época do pontífice precedente, João Paulo II. Boa nova, dizem os defensores do desenvolvimento. Seguramente há, a seguir, toda uma série de outros assuntos: o meio ambiente, a solidariedade internacional (“a colaboração na família humana”), a situação demográfica do mundo, as migrações, a necessidade de ética na economia, a necessidade de uma nova gestão dos recursos raros em benefício de todos, dos mais pobres em particular. A relação entre mercado e “dom” (cap. III) é um tema que chama a atenção, associado à questão da fraternidade que pode e deve se desdobrar na sociedade civil, na qual o papa tem confiança, apoiando a revalorização do papel do Estado (“cuja função parece destinada a crescer”). Tudo isto é, poder-se-ia dizer, consequência da “crise”: e o é, indiscutivelmente, embora seja preciso observar que a crise não é o tema central, como esperavam muitos (decepcionados?); é antes, por alusão, que isso entra em questão. De outra parte, “o amor (a caridade) é tudo”, diz o papa, “na e segundo a verdade”, ou seja, segundo a estrutura das coisas e a natureza do homem; além da estrutura, o amor não é senão a lancinante dor “emocional”.

IHU On-Line – Qual a importância desta encíclica no contexto atual de crise econômica e social?

Jean-Yves Calvez – O relevo de todos os pontos que acabo de evocar é um encorajamento a tomar, sem hesitar, as medidas intervencionistas e corretivas que deveriam impedir o retorno de semelhantes crises. Mas isso não é dito com toda essa nitidez.

IHU On-Line – Que respostas a encíclica oferece para a crise moral da financeirização?

Jean-Yves Calvez - Aqui o papa não se engaja no detalhamento de medidas precisas, que, de resto, não podem resultar de um mero reerguimento “moral” dos homens. O princípio geral é, no entanto, nitidamente colocado, contra todos aqueles que gostariam de isolar a economia da moral: “A economia necessita de ética”.

IHU On-Line – Qual é a novidade que esta encíclica (Caritas in veritate) traz em relação à Populorum Progressio?


Jean-Yves Calvez
– É claro que a nova encíclica trata dos problemas do desenvolvimento num novo contexto, justamente o da globalização – querendo isto expressar um contexto de espírito mais liberal do que do tempo da Populorum progressio, que torna provavelmente mais difícil precisamente a ação para o desenvolvimento. A nova encíclica fala também num contexto de escassez, muito sublinhado, pelo menos se tratando dos recursos energéticos – é verdade que o papa diz no mesmo instante: “Há lugar para todos sobre a terra…”.

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Quanto valem US$ 3 bilhões?

Cifras e números podem ser, às vezes, extremamente enganosos – ou pelo menos abstratos demais.

Quando se fala que são necessários US$ 3 bilhões para encher o prato de comida de todos os famintos do mundo, esse montante parece muito ou pouco?

Em comparação, o que são US$ 3 bilhões quando um plano de resgate econômico a bancos e instituições financeiras é mais de 230 vezes maior do que esse valor, chegando a 700 bilhões?

Uma das Notícias do Dia de hoje aborda essa questão a partir do Programa Alimentar Mundial das Nações Unidas (WFP), que propõe um gasto de um euro por dia para saciar a fome de uma criança no mundo.

Esse programa produziu uma instigante propaganda de televisão, apresentada pelo ator Sean Penn, em que faz uma comparação mais explicativa e concreta da diferença entre os trilhões de dólares que já foram gastos com bancos e outras instituições financeiras, nos famosos planos de resgate econômico, e aquilo que poderia ser gasto para saciar a fome no mundo.

“Vamos falar sobre o plano de resgate humano“, desafia o ator.

(por Moisés Sbardelotto)

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A crise do papel (da imprensa)

A crise também está chegando aos grandes grupos editoriais. Dois grandes grupos norte-americanos anunciaram há poucos dias mudanças no seu quadro de funcionários e na sua forma de produzir a notícia impressa.

A The New York Times Co, controladora do jornal New York Times, vai cortar 530 empregos com o fechamento de um centro de distribuição responsável pela entrega do jornal na região da cidade de Nova Iorque. Com a medida, o grupo pretende economizar US$ 30 milhões anuais. Além disso, vai hipotecar sua sede em Manhattan, levantando empréstimo de USD 225 milhões com o objetivo de melhorar o fluxo de caixa.

Já o inglês Financial Times está oferecendo à sua equipe um programa de demissão voluntária, além de congelar salários a partir de um determinado patamar. Quem preferir, porém, pode “optar” por trabalhar menos dias por semana. O objetivo é reduzir custos em função da crise financeira, segundo matéria do sítio Brand Republic.

E grupo Tribune, dono do Los Angeles Times e do Chicago Tribune, pediu concordata, em razão de suas dívidas. O grupo já vinha sofrendo com a queda na receita com venda de publicidade e o declínio da circulação, conforme nota do sítio Blue Bus.

Em outros casos, os sintomas são mais lentos. A americana U.S. News & World Report, que já foi a terceira maior revista semanal dos EUA, passará a ser um título mensal. Em junho, a revista tinha deixado de ser semanal para ser quinzenal. E ela não é a única publicação a passar por dificuldades. Segundo o sítio WWDMedia, a revista de moda Men’s Vogue será absorvida pela Vogue.

E a famosa revista de negócios Portfolio não fechou por pouco: no entanto, dispensou editores, redatores e quase toda a redação online – e reduziu o numero de edições para 10 por ano.

Resta esperar para ver como será a reação das publicações nacionais e regionais. (Moisés Sbardelotto)

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A crise dos mercados financeiros globais e as repercussões na economia brasileira

Com a presença de 34 pessoas, dentre elas estudantes e professores da graduação e pós-graduação da Unisinos, bem como do palestrante Prof. Dr. Fernando Ferrari Filho, foi realizado no dia 27 de novembro mais um IHU Idéias, cuja temática discutiu a crise dos mercados financeiros e suas repercussões sobre a economia do Brasil.

Durante sua fala, Ferrari afirmou que a sociedade brasileira ainda não percebeu o tamanho da crise atual. Crise esta que, para ele, estava anunciada há muito mais tempo, num processo de erosão das margens de segurança tanto das pessoas físicas como das pessoas jurídicas. Na realidade Ferrari mostrou, por meio de uma rápida “retrospectiva”, que todo o processo de estabilidade ou de “boom” econômico, tende a levar a uma crise, que é, portanto, um processo endógeno, como Keynes já afirmava com propriedade há muito tempo. Sendo assim, as crises se repetem, tendo em comum entre elas a desregulamentação financeira, as inovações financeiras que levam a oferta de crédito que foge do controle das instituições financeiras de todos os países. É por tudo isso que a estabilidade leva à instabilidade.

A partir do exposto acima, o palestrante afirma que a crise financeira é endógena e não exógena como querem explicar alguns. Ela tem alguns condimentos externos que apimentam o paradigma de crise, como o subprime, erros de governança corporativa das instituições financeiras intermediárias, a ausência de marcos regulatórios, o desmantelamento das margens de segurança, dentre outros.

E é claro que esta crise, em outras épocas, teria um impacto ainda maior sobre o Brasil, mas mesmo no contexto atual ela tem significativas conseqüências. Para se ter uma idéia, a crise é muito problemática aos EUA e à China, que tem suas reservas em dólares, sendo que estes dois países juntos respondem por 30% do PIB mundial. Ainda, EUA e os países do euro, respondem por 50% das exportações do Brasil.

Portanto, para Ferrari se o governo brasileiro e a sociedade não entenderem a gravidade da crise atual, ela poderá gerar repercussões ainda maiores, no que tange ao desequilíbrio financeiro do país, a desaceleração do PIB, a queda dos índices de emprego, a inflação, dentre outros. Afirma ainda que a postura atual do governo e da sociedade brasileira tende, hoje, a não enxergar a crise como ela é, uma vez que ela acaba escondida nas declarações do governo, que insiste em dizer que não seremos fortemente afetados por ela e, também, se esconde por detrás do último semestre do ano, que é um semestre no qual o consumo e a atividade econômica aumentam tradicionalmente.

Os reflexos da crise deverão ser sentidos ainda mais em 2009 e 2010, afetando não apenas dimensões econômicas da sociedade, mas também questões e dimensões sociais, culturais, políticas, ambientais, uma vez que todas estão interligadas. Por exemplo, a aceleração do desemprego tende a agravar problemas sociais e, ao mesmo tempo, reduzir o consumo e a cultura do consumo, o que gerará certo alívio para a questão ambiental.

Segundo Ferrari, o Banco Central e o governo federal do Brasil deveriam ser mais arrojados e quiçá, superação da crise, buscando, por exemplo, expandir a produção agrícola de maneira mais intensa e efetiva, ofertar combustíveis menos poluentes e, ao mesmo tempo, ampliar as reservas e ofertas de petróleo, dentre outros.

Mas, para o palestrante, o mais importante é buscarmos entender o que denominou de marco teórico da crise. Para ele, este marco está no processo de globalização financeira, que cria uma trajetória disruptiva, na qual a instabilidade é vista não como uma anomalia, mas sim como resultado do sistema, sendo que acaba tornando o mundo um cassino global. Para Ferrari, Keynes já mostrava que o mercado hora acentua a preferência pela liquidez do capital, hora pela questão do capital produtivo. E, num mercado sem regulamentação, quando se acentua a busca pela liquidez, é gerada uma crise de confiança, que auxiliada pela globalização, torna-se também uma crise sistêmica.

Ainda, segundo Ferrari, outro marco teórico que contribui para o entendimento da crise é Minsky, que mostrou que as práticas especulativas se baseiam em concessões de crédito de alto risco, que levam à deteriorização das margens de segurança, resultando em fragilidade financeira, que é contexto atual. Para Ferrari, Keynes e Minsky propõem que tenhamos políticas econômicas e fiscais contra-cíclicas, como uma mão visível do estado para assegurar a funcionalidade da mão invisível do mercado. Para isso, os autores citam a necessidade de se pensar um “Big Central Bank”, como parte funcional das economias mundiais, permanente, portanto, intervindo e regulando de forma contínua, e não apenas em momentos de crise buscar esta intervenção, como se fosse uma solução “ex post”. Ou seja, na direção do que propôs Keynes, seria necessário criar um banco central supranacional, capaz de assegurar a liquidez internacional, de coibir o capital especulativo, de estabilizar as taxas de juros e câmbio, de permitir políticas de ajuste de balanças de pagamentos que gerem o desenvolvimento econômico.

Depois das considerações de Ferrari, tivemos um acalorado debate sobre o significado desta crise, se ela representa uma ruptura ou não do ciclo do capitalismo do neoliberalismo, proporcionado por professores do PPG em Economia da Unisinos e pelo palestrante, que afirmou que ele jamais diria que é o fim do capitalismo ou do neoliberalismo, mas é, si, o sinal de que o capitalismo e o mercado não se auto-regulam. Também contribuiu na reflexão o coordenador do PPG em Ciências Sociais da Unisinos, que questionou a ajuda aos bancos e, principalmente, os paradigmas de consumo atuais.

Diante do exposto por Ferrari e das reflexões feitas, para mim que não sou economista e tenho poucos conhecimentos na área, me parece que a crise poderá mexer com paradigmas culturais, ambientais e sociais importantes, caso ela própria não se permita esconder, como querem nossos governantes. Acredito que a crise demonstra a superação de um paradigma desenvolvimentista, baseado no consumo compulsivo e de massa, que não se sustenta e evidencia sua não sustentabilidade no exemplo da China e na própria crise como um todo.

No Brasil, este paradigma recentemente fez melhorar alguns índices sociais, econômicos, como a questão do emprego, por exemplo, mas já demonstra sinais do seu esgotamento, o que pode ser percebido nas notícias do IHU das últimas semanas, onde talvez as palavras demissão, desemprego, férias coletivas, paralisação da produção, dentre outras nesta linha, repetem-se em várias notícias, mostrando, para mim, sintomaticamente, a necessidade de se repensar este paradigma desenvolvimentista. Quem sabe não é o momento do decrescimento, do (re)pensar e (re)conceituar o trabalho, do repensar a distribuição da terra, a utilização de recursos naturais, a cidadania de forma mais ampla e não relacionada a questão produtiva e econômica, dentre outros. Ou será novamente hora de cada um por si e que vença o melhor? Depende um pouco do que vamos fomentar.

O que eu posso afirmar é que seguiremos discutindo esta temática no próximo IHU Idéias do dia 4 de dezembro, no qual  o tema será a crise, o consumo e o endividamento. Sintam-se todos e todas convidados e convidadas! (Postado por Lucas Luz).

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Sangria

De um artigo de Valdo Albuquerque que nos foi enviado:

Os lucros enviados pelas multinacionais às suas matrizes somaram US$ 18 bilhões e 993 milhões no primeiro semestre, quase que o dobro do mesmo período do ano passado (US$ 9 bilhões e 807 milhões), constituindo-se no principal fator para o déficit de US$ 17 bilhões e 402 milhões nas contas externas (transações correntes) nos seis primeiros meses deste ano.

Ao apresentar os números do setor externo na segunda-feira (28), o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, disse que o aumento da remessa de lucros reflete uma ”mudança estrutural” no balanço de pagamentos. No melhor estilo acaciano, o arguto diretor do BC garantiu: “Lucro só se remete quando tem lucro”.

Não esperaríamos de um alto funcionário do BC que ele dissesse que essa remessa de lucros é uma sangria que está se tornando desatada para o país – e que é isso o que está chamando de “mudança estrutural”. Mas assim é, e de forma crescente nos últimos cinco anos foram enviados ao exterior:

2003 – US$ 5,7 bilhões
2004 – US$ 7,3 bilhões
2005 – US$ 12,7 bilhões
2006 – US$ 16,4 bilhões
2007 – US$ 22,4 bilhões

Agora, somente em seis meses de 2008, as remessas de lucros já se aproximam do que foi enviado durante todo o ano passado. O BC estima, conservadoramente, como sempre, que até o final do ano as remessas de lucros atinjam US$ 29 bilhões.

Em suma, usando a estimativa do BC, as remessas de lucro quintuplicaram entre 2003 e 2008. Essas são as faturas pagas pelo ingresso dos festejados investimentos estrangeiros diretos (IED), ou seja, pela compra de empresas pelo capital estrangeiro ou, em menor grau, pela instalação aqui de empresas estrangeiras.

Enquanto as remessas de lucro quintuplicaram, as entradas de investimento direito estrangeiro foram apenas um pouco mais do que o triplo.

Algumas figuras alucinadas do tipo Gustavo Franco pretenderam, no passado, que o rombo nas finanças do país que provocavam com juros altos e valorização artificial do real fosse eternamente coberto com o dinheiro que vinha de fora. Como sabemos, não deu certo – o último apologista de Gustavo Franco é, no momento, o sr. Salvatore Cacciola, recolhido às celas da PF.

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A taxação das grandes fortunas

Maurício Rands, deputado federal pelo PT-PE, apresentou ontem um projeto que merece a nossa atenção. O projeto cria a Contribuição Social Anual sobre Grandes Fortunas. A notícia poder ser lida nas Notícias do Dia, hoje.

Trata-se de uma iniciativa que sempre que foi aventada, levantou uma baita polvorosa. Mas, ainda que tímida, ela merece todo o nosso apoio.

Tìmida? Sim, pois a proposta cria três faixas de contribuição, que incidirá anualmente a partir de um patrimônio de 8 mil vezes o limite mensal de isenção para a pessoa física (R$ 1.372,81).

Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, a contribuição atingiria 10 mil famílias, sendo que as 5 mil famílias mais ricas representam 40% do Produto Interno Bruto (PIB) – cerca de R$ 1,1 trilhão.

A previsão de arrecadação é de R$ 5 bilhões anuais que seriam destinada à seguridade social.

Uma enquete sobre o tema está no ar no sítio do IHU.

Uma boa entrevista sobre o tema, poderá ajudar na discussão desta iniciativa. Alguma sugestão de nomes?

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Pecuária. A vilã do ambiente? Um debate

Uma nota, originalmente publicada no sítio amazônia e postada nas Notícias do Dia, hoje, pelos colegas do Cepat, mostra que o principal vilão da floresta amazônica é o consumo de carne. “Na hora em que o garfo bate na boca, você está destruindo a floresta. De cada três bifes consumidos um vem da Amazônia e quem os consome são tanto os moradores da região (cerca de 10%) como os brasileiros de outras regiões (cerca de 80%)”, afirma João Meirelles do Instituto Peabiru.

Coincidentemente, no mesmo dia, o jornal Zero Hora publica um artigo de José Alcides Marques, médico veterinário, ex-delegado federal da Agricultura do Estado do RS, defendendo a pecuária. Ele afirma que “depois de serem domesticados há 13 mil anos, bois e vacas estiveram intrinsecamente ligados à expansão da civilização humana, como fonte de trabalho, couro, leite e carne”. No entanto, lamenta o articulista, a pecuária “de repente se tornou o alvo preferido do ambientalismo militante. O boi passou de amigo a inimigo do homem em apenas um ano. Vacas agora poluem mais que automóveis”.

Segundo ele, “é possível, sim, conciliar a pecuária com preservação ambiental. A região do Pantanal seco é um exemplo disso. O gado criado ali extensivamente se tornou uma peça fundamental do bioma pantaneiro. É ele que elimina a macega nos campos, diminuindo o risco de incêndio na época das secas. Retirar o gado do Pantanal causaria uma catástrofe ambiental em um dos ecossistemas mais frágeis do país e valiosíssimo do aqüífero guarani”.

E continua:

“O outro mito é que as vacas, por liberarem metano em seu processo digestivo, seriam também culpadas pelo aquecimento global. No Brasil, o gado é criado em pastos de gramíneas tropicais conhecidas como plantas C4.

Essa designação indica que esse tipo de planta tem um metabolismo especial, que produz em cada ciclo de fotossíntese uma molécula com quatro átomos de carbono, em vez de três, como outras espécies vegetais. Esse tipo de planta é extremamente eficiente na produção de massa e na absorção de gás carbônico da atmosfera. De fato, usando a mesma energia no mesmo espaço de tempo, um hectare de pasto absorve mais CO2 do que um hectare de uma floresta adulta.

Os ecologistas deveriam fazer as contas de quanto CO2 é absorvido pelo pasto e de quanto metano é produzido pelo gado, lembrando que no Brasil cada boi ou vaca tem quase 1,1 hectare de espaço disponível… O saldo, quem diria, é a favor do pasto…

Por esses maravilhosos caprichos da natureza, a energia do sol faz crescer um capim espantosamente e que se não fosse pelo gado nunca poderia ser aproveitado como alimento pelo homem. No entanto, graças às vacas e bois se transforma em leite e carne”.

E conclui:

“Não se enganem, os verdadeiros inimigos do meio ambiente não são os pecuaristas, mas a ausência de fiscalização ambiental permanente, de educação, de assistência técnica, de política agrícola… Só que é mais fácil culpar as vacas”.

Tanto o sítio do IHU (veja os anexos abaixo) quanto a revista IHU On-Line tem se posicionado a favor de um outro modo de se comportar e alimentar capaz de preservar o ambiente e de respeitar a vida dos animais. Neste sentido, por exemplo, confira a revista IHU On-Line, Por uma ética do alimento. Sobriedade e compaixão, no. 191 de 14/8/2006.

Para ler mais:

80 milhões de litros de água são consumidos por uma só pessoa que come carne

O impacto ambiental do consumo de carne. Entrevista especial com Sérgio Greif e depoimento de Sonia Montaño

O nosso consumo de carne é um risco para a estabilidade do clima. ‘Um americano médio come sete novilhos de seiscentos quilos’. Entrevista com Jeremy Rifkin.


Como Nos Alimentamos – Por Que Nossas Escolhas Alimentares Importam. Entrevista com Peter Singer

A agricultura industrial nega aos animais uma vida minimamente decente. Um artigo de Peter Singer


Gado agrava mais aquecimento da Terra que carros, diz ONU

Direito dos Animais. Artigo de Maria de Nazareth Agra Hassen

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