Em busca da paz

O budismo marcou o último dia de debates no IHU do evento Religiões do Mundo. O documentário produzido e apresentado por Hans Küng mostrou alguns peculiaridades do budismo que, segundo ele, não é uma filosofia e não apresenta qualquer explicação sobre o mundo, mas é, sim, um caminho da cura. “A compaixão e a preocupação de cada um em percorrer seu caminho. Estas são as contribuições do budismo para uma ética da paz”, diz Küng.

Depois de quase uma hora de filme, a Monja Kokai pediu a todos para que participassem de um exercício de relaxamento e, assim, iniciarem o debate.

Ela conta aos presentes como é a filosofia Zen e como um pouco da história do budismo. “A coletividade e a ética voltada para a preocupação com a vida devem ser resgatadas. Não estamos nutrindo a compaixão”, lembra ela que é discípula da Monja Coen, que participou do Simpósio Internacional IHU: Narrar Deus numa sociedade pós-metafísica. Possibilidades e impossibilidades.

Ricardo Aveline contou a sua história com o budismo. Disse que seu pai é mestre budista e a mãe professora universitária e como essas peculiaridades da sua família influenciaram de forma decisiva suas escolhas. Hoje, ele segue o budismo e vive com a família na comunidade budista Caminho do Meio, mas também é professor universitário. Atualmente, ele cursa o doutorado na Unisinos e pesquisa o budismo hoje nos países de origem e em lugares onde ele é muito recente, como o Brasil. “Os países onde o budismo é predominante vivem um problema hoje, pois não sabem de que forma devem tratar da ‘não violência’. As disputas estão contribuindo para isso”, falou Aveline.

Henrique Lemes da Silva vive hoje integralmente em função do Instituto Caminho do Meio, em Viamão. Mas contou ao público do Religiões do Mundo suas experiências anteriores que, aos poucos, o levaram até o momento que vive atualmente.  Ele também contou um pouco sobre o histórico da religião. “Só pela maneira intelectual as coisas não funcionam bem. É preciso praticar as reflexões budistas”, frisou.

O evento não finalizou apenas com o debate sobre essa interessante religião. O segundo momento gastronômico baseado nas culturas dos lugares de origem das religiões que fizeram parte do evento. Desta vez, “saboreamos” as religiões chinesas, tribais e o budismo, claro.

Aqui no IHU o Religiões do Mundo chegou ao fim. Outros eventos organizados pelo Escritório Fundação Ética Mundial no Brasil estão por vir. No entanto, quem quiser acompanhar outros debates, confira a programação que continua na Casa de Cultura Mário Quinta, em Porto Alegre.

Postado em Ética Mundial | 1 comentário »

Uma resposta

  1. Ana Formoso diz:

    O último encontro foi marcante pela abordagem da compreensão da ética no budismo Zen e pela humildade no diálogo e na sua prática. Eles disseram que tem muito para aprender com o compromisso dos cristão nas questõe sociais e nós temos muito para aprender com eles!Foi um encontro místico e comprometido com as questões sociais. A universide, a mística e os desafios do cuidado com o cosmos aparecem com naturalidade.

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