Simpósio. Um comentário

Os corpos e subjetividades que a sociedade contemporânea precisa para poder funcionar com maior eficácia não são os mesmos que necessitava o capitalismo industrial do século XIX e da primeira metade do XX – Maria Paula Sibilia.

O excelente Simpósio Internacional Uma sociedade pós-humana? Possibilidades e limites das tecnologias apenas confirmou a reflexão que vem sendo instigada pelo Instituto Humanitas Unisinos e pelo Cepat já há algum tempo: a de que vivemos um tempo em que tudo está em reviravolta, em convulsão, o que denominamos de crise civilizacional – compreendida como a perda de referência de ‘portos seguros’ onde, até então, atracávamos as nossas certezas.

Esse sentimento de deriva ficou ainda mais evidente no Simpósio, quando os palestrantes da área da filosofia, particularmente Luigi Perissinotto e Elena Pulcini, manifestaram que a mesma não consegue dar conta da natureza da radicalidade e complexidade da mudança em curso. A sociologia, então, muito menos. A afirmação de Bourdieu de que a “sociologia é uma ciência fraca” mais do que nunca foi verdadeira. O sentimento de quem esteve no Simpósio ouvindo as conferências é de que a sociologia ainda está presa e ocupando-se de temas do século XX e não se deu conta de que já entramos em outro momento epocal, para repetir Morin.

Conversando com outros participantes do Simpósio, o que mais impressionou é que para além das façanhas extraordinárias que podem as nanotecnologias, seja de bom ou de ruim, está o fato de que absolutamente não temos a mínima idéia do que virá acontecer com a pessoa humana daqui algumas décadas. A idéia do pós-humano por um lado é arrebatadora, fascinante e, por outro, assustadora.

O Simpósio despertou um sentimento paradoxal. As nanoctenologias estão entre as manifestações mais acabadas da potência humana e, ao mesmo tempo, da sua fragilidade.

Por Cesar Sanson

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Nanotecnologias: contradições e complexidades – Uma marca da complexidade?

Há algum tempo que venho percebendo que a contradição é uma marca da modernidade ou da pós-modernidade que vivemos, ou ainda de ambas, afinal onde começa uma não termina a outra. Ou seja, as contradições estão fortemente presentes em nosso cotidiano atual. Para não falar diretamente sobre as nanotecnologias e as contradições que se revelam a partir dela, o que poderia parecer limitar o assunto ao grupo de pessoas que se interessam por este tema (pois tanto na academia como fora dela muitos ainda não perceberam que as nanotecnologias afetam e afetarão tudo e todos), vou começar falando de algumas contradições diversas do dia-a-dia.

No que tange ao trabalho, por exemplo, temos hoje uma imensa legião de pessoas que tem muito tempo livre e, poderiam então, desfrutar da vida. São desempregados, subempregados, empregados em tempo parcial, aposentados que mesmo precisando não conseguiram retornar ao mercado de trabalho, dentre outros, que têm tempo de sobra, mas não apresentam condições para bem desfrutar das possibilidades da vida. Lutam para sobreviver. Outros que têm trabalho e renda, porém, em sua maioria, pouca renda e muito trabalho, o que lhes leva também a condição de um sobreviver e não de um viver com mais sentido, mais reflexivo e mais proveitoso. Como os primeiros sobrevivem. Por fim, existem aqueles que têm muito trabalho e muita renda também. Parece perfeito, porém não têm tempo para viver e, quando o possuem, acabam reféns da realidade descrita que gera relações violentas. Ou seja, são uma minoria, que tem trabalho e renda alta, mas não tem tempo para desfrutar a vida e o fato de ter muita renda lhes traz problemas de segurança.

Estas são algumas das contradições. Aliás, até mesmo a mídia de massa, talvez sem querer, pois não costuma discutir esta contradição que é nossa realidade, em seus noticiários escancara o antagonismo da realidade, as contradições presentes. Recentemente a mídia noticiou um caos do trânsito que deverá se agravar ainda mais, provocado pelo aumento desenfreado no consumo de automóveis, cujas vendas batem recordes dia após dia. Ou seja, o acesso aos automóveis é uma realidade presente de forma cada vez mais intensa para os brasileiros. Ao mesmo tempo, este caos é agravado pelo aumento do número de carroceiros que circulam neste trânsito e disputam espaços com os veículos. Aumentamos o acesso ao automóvel e também as carroças, este último de forma forçosa. É ou não uma contradição?

E assim eu poderia ficar relatando outras muitas contradições do presente, sem fazer julgamentos, apenas as constatando: temos cada vez mais tecnologias, ferramentas para gerenciar informações, temos cada vez mais acesso a informações e conhecimentos e, ao mesmo tempo, parece que é cada vez mais difícil planejar e gerir organizações, carreiras e a nossa própria vida; temos cada vez mais pessoas acessando a educação formal em seus diferentes níveis, o que gera uma mão de obra cada vez mais qualificada, porém comumente é propagada a máxima de que trabalho/emprego não faltam, o quê faltam são pessoas qualificadas para as vagas existentes; dentre outras contradições.

E o que isso tem a ver com as nanotecnologias, se é que tem alguma relação. Tem muito de relação. Pelo menos é o que eu, mesmo não sendo especialista no assunto e começando agora a conhecê-lo, pude notar nas falas dos professores e pesquisadores Eric Drexler e Gilberto Dupas, que assisti no Simpósio Internacional Uma Sociedade Pós-Humana? Possibilidades e Limites das Nanotecnologias, promovido pelo Instituto Humanitas Unisinos – IHU. Nelas percebi como a “contradição nanotecnológica” é enorme e, portanto, é própria e cabe na realidade da modernidade / pós-modernidade que vivemos atualmente. “Não é porque tecnicamente é possível que devemos fazer”, diz Dupas ao questionar quem é meio e quem é fim quando pensamos em tecnologias e sua relação com as pessoas. Drexler por sua vez mostrou o potencial positivo e, ao mesmo tempo, mesmo com uma visão mais otimista, deixou claro o potencial devastador, ameaçador que pode ser assumido pelas nanotecnologias, apostando na regulamentação delas para que isso não ocorra. Portanto, as nanotecnologias são em si mesmas uma contradição. São o bem e o mal, são o bom e o ruim, são, segundo Drexler, capazes de gerar muito mais produção com muito menos insumos e custos, em menos tempo. Sim, e se isso ocorrer e o acesso ao consumo for globalizado, para qual planeta iremos nos mudar? Um único Planeta, a Terra, não deverá suportar. Mais ainda, podemos seguir perguntando, quem se apropriará das nanotecnologias e para quê? Segundo o mesmo Drexler, elas podem libertar o homem de muitas coisas, inclusive retardar o envelhecimento (e para alguns mais otimistas, libertá-lo da morte), porém, ao mesmo tempo, elas podem submeter estas mesmas pessoas a um controle jamais visto.

Enfim, ao que tudo indica, progresso e desenvolvimento estão cada vez mais difíceis de serem vistos como sinônimos, como algo benéfico, sem contradições em seus sentidos. Portanto, estou cada vez mais convencido de que a realidade é, em si, uma contradição. É cada vez mais difícil entender o que estamos fazendo, o que estamos construindo, por que aqui estamos, se fazemos o bem e o mal (que por várias vezes se confundem), se somos autênticos ou manipulados, individuais, solidários, grupo ou multidão, se somos autônomos ou dependentes. Ou ainda se somos uma mistura de tudo isso. Estamos, portanto, em um cenário de avanços tecnológicos que levam a multidão a questionar-se cada vez mais se ainda somos e seremos humanos e o que isso significa e significará? Talvez não queira eu entrar neste campo do pós-humano, até por falta de conhecimentos, mas nessa realidade nanotecnológica, o humano não será uma contradição? Sinceramente não sei, mas espero que esta contradição seja pensada nos seus limites e nas suas possibilidades, com todas as precauções que o assunto merece. Espero que possamos construir os meios e ser um dos fins. Não ser o único fim e muito menos apenas o meio. Vamos refletir, afinal, nada melhor que contradições para isso e que o simpósio continue a suscitar “discussões humanas”. (Lucas Luz)

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Minc – Marina

“A Marina era uma das poucas coisas boas na área alternativa e do respeito à dignidade que ainda havia no governo, fica difícil acreditar que a truma do lucro a qualquer preço não vá determinar o querem no q se refere aos transgênicos, agronegócio, trabalho escravo, destruição amazônica, ou seja, a turma do Caiado, da Yeda e seus eucaliptos e pinus, a turma do gaúcho Maggi, a turma do gaúcho Quartiero e tantos outros gaúchos autoritários, destruidores em vários cantos do País, essas e outras turmas agora terão o caminho livre ainda mais para implementarem suas tramóias e imposições…. Lula deveria ter acertado mais, assim como Ele disse, q não tínhamos o direito de errar, não poderia ter cometido tantos equívocos nas áreas cruciais dos movimentos populares, é uma pena.” A opinião é de Remi Casagrande, padre, de Farroupilha/RS, comentando a saída de Marina Silva do ministério do Meio Ambiente. O comentário foi postado na enquete do sítio do IHU sobre a substituição de Marina por Carlos Minc.

Já para Valdete Lima a substituição de Marina por Carlos Minc é positiva. E isso “pelo trabalho que o Minc fez no Rio de Janeiro e pelo simples fato de se mostrar tão brasileiro em tudo o que fala. Lamento profundamente a saída da Ministra Marina que era um dos maiores baluartes do Governo petista mas, o Ministério estará em muito boas mãos”.

A enquete continua no ar. Se queres, podes participar.

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Nanotecnologias: possibilidades incríveis e riscos altíssimos

Você já imaginou que um dia a ciência poderia lhe dar todas as explicações de como o ser humano funciona e até mesmo criar mecanismos e tecnologias para que ele se auto modificasse? Para compreender as surpreendentes mudanças que estão ocorrendo na era da técnica e repercutir o tema central do Simpósio Internacional Uma sociedade pós-humana? Possibilidades e limites das nanotecnologias, que ocorre na Unisinos nesta semana, a IHU On-Line entrevistou pesquisadores e pesquisadoras que analisam as incríveis possibilidades e os altíssimos riscos da revolução tecnológica contemporânea.Para a pesquisadora argentina Maria Paula Sibilia, da Universidade Federal Fluminense (UFF), anuncia-se uma mutação antropológica: “a natureza humana deixou de ter limites fixos e rígidos. Agora é possível “reprogramar” suas características e funções, abrindo um horizonte para além do que costumávamos conhecer como “humano”. Os limites dessa definição estão sendo desafiados, com pesquisas que se propõem a “desprogramar” as doenças e o envelhecimento, por exemplo, visando a atingir a imortalidade. É assim como se abre um novo horizonte à nossa frente, inaugura-se uma era que alguns denominam pós-orgânica, pós-biológica ou, inclusive, pós-humana”.

Roberto Marchesini, pesquisador da Scuola di Interazione Uomo Animale – S.I.U. A., Itália, aposta na hibridação entre homens e máquinas como um processo positivo para garantir a alteridade humana. E acrescenta: “Devemos reconhecer que a nossa identidade de indivíduos nasce da contaminação com os outros”.

Ivan Amaral Guerrini, pesquisador da Universidade Estadual Paulista (UNESP), acredita que as respostas para as dúvidas do ser humano podem ser respondidas, através da Ciência. E atribui as nanotecnologias um grade potencial para que a humanidade possa “se conhecer e aprender a viver bem e em harmonia”.
Embora perceba ambivalência entre as nanotecnologias, Elena Pulcini, professora de filosofia da Università degli Studi di Firenze, Itália, alerta que a obsessão pelo pode levar “a humanidade e o mundo vivente ao perigo de uma irreparável degradação, se não extinção”.

Com um olhar crítico, Gilberto Dupas, economista e presidente do Instituto de Estudos Econômicos e Internacionais (IEE) pergunta: “Não estaria a espécie humana, regida pela lógica implacável do capital e do mercado, inventando uma maneira de abolir a si mesma, transformando-se em formas de vida e de inteligência pós-biológicas e digitais?”.

Considerado o pai das nanotecnologias, Eric Drexler acredita que os benefícios das nanotecnologias superam os seus próprios riscos. “Os tipos de nanotecnologia que vemos hoje, e que estarão em laboratórios e fábricas pelos próximos anos, não apresentam nenhum perigo além da possibilidade de que alguns dos novos materiais sejam tóxicos. Isso requer estudo e regulamentação, um processo que está ocorrendo”, argumenta.

Contribuem também nesta edição, a partir de olhares e perspectivas diferentes, os seguintes pesquisadores e pesquisadoras: Solange Binotto Fagan, da Unifra, Ricardo Bentes de Azevedo, da UnB, Tarso Benigno Ledur Kist, da UFRGS, Adriana Pohlmann, da UFRGS, que percebem grande potencial das nanotecnologias na área da educação e da saúde. Por sua vez, Ney Lemke, da UNESP, refletindo sobre as possibilidades dos motores biomoleculares, constata que “a nanotecnologia nos permite investigar experimentalmente as forças que organizam o mundo celular de forma direta, uma molécula de cada vez. As conseqüências do uso destes recursos ainda são inimagináveis”. A era do silício e a sua vitalidade e importância é o tema da entrevista com Israel Jacob Rabin Baumvol, da Universidade de Caxias do Sul.

Celebrando os 40 anos da realização da II Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano em Medellín, entrevistamos a teóloga italiana Silvia Scatena. Aliás, De Medellín a Aparecida: marcos, trajetórias e perspectivas da Igreja Latino-Americana é o tema do evento promovido pelo IHU e que inicia no dia 13 de junho. A programação pode ser consultada no sítio do IHU.

Lúcio Flávio Rodrigues de Almeida, professor da PUC-SP, analisa as lutas e os desafios do movimento social brasileiro e o poeta paulista Tarso de Melo no poema “Ready-made” lida com o bombardeio da mídia, cercada pelo vazio.

Saudando e acolhendo de maneira muito especial os/as participantes do Simpósio Internacional, vindos/as de várias partes do País e do mundo, desejamos a todos e todas uma ótima semana e uma excelente leitura!

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Indenizações milionárias a Ziraldo Jaguar. Justas?

O Pasquim foi o primeiro e mais influente jornal de oposição à ditadura militar no Brasil. Nasceu no final de 1968 após uma reunião entre o cartunista Jaguar e os jornalistas Tarso de Castro e Sérgio Cabral. Com o tempo juntaram-se ao time Ziraldo, Millôr, Prósperi, Claudius e Fortuna e a primeira edição finalmente saiu em 26 de junho de 1969. Em seu ápice, o jornal atingiu a marca de 200 mil exemplares. Em novembro de 1970 a redação inteira do O Pasquim foi presa depois que o jornal publicou uma sátira do célebre quadro de Dom Pedro às margens do Ipiranga. A última edição, de número 1.072, saiu em 11 de novembro de 1991.

Recentemente, alguns jornalistas receberam uma indenização aprovada pela Comissão de Anistia do Ministério da Justiça. Ziraldo e Jaguar, dos 20 jornalistas contemplados, receberão os maiores valores: R$ 1,2 milhão retroativo mais pensão mensal de R$ 4.365,88. Outros 18 jornalistas que sofreram perseguições políticas durante o regime militar (1964-1985) também irão receber indenizações. O total chega a R$ 12,28 milhões, segundo o jornal Zero Hora.

A antropóloga Luitgarde Oliveira Cavalcanti Barros, indagou, em uma carta publicada no jornal Folha de São Paulo, “Qual é o critério que a Comissão de Anistia do ministério utiliza para esse tipo de avaliação? A perseguição a jornalista!”.

Para o presidente da Associação Brasileira de Imprensa, Maurício Azedo, a indenização foi justa. O sítio do IHU perguntou as seus leitores o que achavam da indenização milionária concedida a Ziraldo e Jaguar, por transtornos sofridos no jornal Pasquim durante o regime militar.

21,43% são favoráveis;

29,46% são parcialmente favoráveis;

34,82% são totalmente contrários;

7,14% são parcialmente contrários; e

7,14 dos leitores não tem opinião formada sobre o tema.

O leitor Neuri Luis Hammes é contrário às indenizações. “A liberdade não se repara com um punhado de moedas”, disse.

Hugo Bruno Mombach é favorável a uma indenização “justa para todos os torturados e seus familiares, e não uma grande soma para apenas alguns poucos”.

Rosenilda Garcia acredita que “indenizações milionárias pagas individualmente reforça a ideologia capitalista, pois não foram duas pessoas que vivenciaram as torturas”.

João Carlos R. Martins escreveu que esse “disparatado festival de indenizações parece uma vingança de quem era contra o Estado e agora se apoderou dele (com nosso voto). O dinheiro público é do povo, mas nós não o vigiamos como devíamos”.

“Ziraldo e Jaguar NÃO foram torturados. Foram críticos do regime, sofreram perseguição, mas não foram impedidos de trabalhar”, comentou Fávio Nunes. Para ele, “essas indenizações deveriam valer apenas para quem foi torturado ou para as famílias dos que morreram sob a guarda do Estado. Para alguns, a oposição à ditadura, além de garantir uma aura eterna de superioridade moral, mesmo para os esquerdistas com posições tão ou mais autoritárias que os militares, relevou-se um rentável investimento a longo prazo…”

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A Conjuntura da Semana está no ar!

A Conjuntura da Semana já pode ser acessada. Tendo presente as ‘Notícias do Dia’ de 14 a 20 de maio publicadas no sítio do IHU, e também da revista do IHU da semana, a conjuntura destaca a simultaneidade de três crises – ambiental, alimentar e energética – que se configuram na crise civilizacional. A percepção é de que o planeta Terra dá sinais cada vez mais reiterados e evidentes de esgotamento e já não suporta a pressão antropogênica.

O mais sombrio, destaca a conjuntura, é a falta de perspectivas. Por um lado, é notória a incapacidade do capitalismo de encontrar uma solução para a crise ambiental. A predação é constitutiva ao capitalismo que apenas tem feito destruir, arrasar e devastar.

Por outro lado, a esquerda também se demonstra incapaz de apresentar alternativas. A esquerda não está à altura dos acontecimentos. Não percebe que a crise ecológica é o principal eixo de contestação ao capitalismo. Ao contrário permanece refém, ainda que por outro viés, do antropocentrismo moderno suscitado pelo liberalismo e pela Revolução Industrial.

A conjuntura analisa o conteúdo dessa tripla crise e aborda a opção brasileira de desenvolvimento, que apesar dos seus recursos e possibilidades ímpares, se coloca na contramão da gravidade do momento civilizacional.

Veja o Sumário:

Crise ambiental está cada vez mais evidente
Crise alimentar
Crise energética
Crise ambiental. Brasil permanece preso ao século XX
Queda da Marina. Vitória dos setores com uma visão conservadora e antiga de se pensar o Brasil
Dois projetos de país

Boa leitura!

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Trabalho(?) imaterial – Algumas considerações sobre a entrevista de Marcio Pochmann

Este texto que hoje posto já está escrito há mais tempo, porém por problemas técnicos não estava conseguindo publicá-lo no blog. Mas, devido a sua temática, tenho certeza que ainda permanece atual.

Inicio parabenizando a Equipe da revista IHU On-line, pela excelente entrevista realizada com o economista Marcio Pochmann, na edição 256 da referida revista, publicada em 28/04/2008.

Na entrevista, mérito da entrevistadora e da sua equipe e do entrevistado, é claro, vi Pochmann abordar temas que nem sempre estão muito presentes em suas qualificadas análises, mas que são de extrema relevância. Humildemente, gostaria de comentar estes temas, como forma de me solidarizar com as posições defendidas pelo entrevistado e de difundir esta discussão na academia e fora dela, uma vez que ela nem sempre é feita. As discussões propostas na entrevista, muitas vezes, passam batidas pela academia e até por movimentos sociais vinculados à questão do trabalho e pela sociedade como um todo, porque academia e sociedade, em sua maioria quem sabe, continuam pensando um mundo do trabalho mais Taylorista/Fordista, portanto muito mais material, em uma época de valores e produções muito mais imateriais.

Primeiro, quero destacar a fala de Pochmann onde ele afirma uma “heterogeneidade de situações”. Ora, o paradigma da complexidade mostra que há muita dificuldade em encontrarmos o “uno”, o modelo, o padrão, o único. Esta afirmação vale para diferentes dimensões, inclusive para o trabalho. E, na questão do trabalho, ela é importante em diferentes perspectivas. Primeiro para entendermos que temos trabalhadores num paradigma imaterial, de autonomia por exemplo; ao mesmo tempo e numa mesma organização por vezes, temos também trabalhadores num paradigma taylorista/fordista e outros num paradigma pré-fordista. Soma-se ainda a realidade atual os que a sociedade considera como não trabalhadores.

Ou seja, temos uma “multiplicidade de realidades” no contexto atual do trabalho. É importante entendermos esta multiplicidade e suas conseqüências, sem o sentimento de aboli-la, comum ao nosso já forjado desejo da padronização, para que possamos lidar com estas realidades quando pensamos, por exemplo, a gestão de pessoas, as estratégias organizacionais, as políticas públicas, a centralidade ou não do trabalho na vida das pessoas, dentre outras questões.

Segundo, a heterogeneidade também se reflete nas realidades organizacionais hoje. Há uma variedade de formas de gestão, de formas de “não controle controladoras”, de trazer para a produção das pessoas no chamado trabalho, para a organização portanto, não apenas a força produtiva de cada um e sim a vida das pessoas, suas vivências, suas subjetividades. Neste sentido, a heterogeneidade, o respeito às diferenças e ao diferente é fundamental e dá vazão a produção imaterial.

E aqui uma segunda afirmação de Pochmann, na qual ele mostra que as pessoas estão trabalhando muito mais. “Todos estão trabalhando muito mais. Isto faz com que as pessoas durmam com o trabalho e sonhem com ele”, afirma. É notável que a produção imaterial não permite as pessoas apenas trabalharem em seus locais de trabalho e nos horários preestabelecidos. Já não há uma clara separação entre espaços de trabalho (imaterial principalmente) e espaços de não-trabalho. As tecnologias da informação e de comunicação também influenciaram e influenciam nesta questão. Não sabemos muito bem quando estamos trabalhando, quanto esforço empregamos em um projeto, qual é nossa verdadeira jornada de trabalho, quanto custa e/ou deveria custar nosso trabalho, dentre outros. Desta forma, diante destes fatos, os instrumentos de regulação e de mensuração do trabalho estão em crise.

Esta diferenciação entre trabalho e não trabalho está cada vez mais difícil pois as empresas, as organizações, dependem da vida dos seus trabalhadores (e não do trabalho deles apenas) para que sejam flexíveis e inovadoras, e, desta forma, poderem atender a uma heterogeneidade e oferecer produtos e serviços personalizados, com forte componente imaterial e simbólico. Fico pensando em exemplos corriqueiros, simples, porém sem ter respostas claras sobre eles. O fato de uma pessoa, após sua jornada de trabalho ir para uma instituiç£o de ensino e lá cursar a sua graduação faz com que esta pessoa esteja, em sala de aula, num espaço de não trabalho ou de trabalho? Ela está lá se preparando para quê? As vivências que ela terá neste espaço serão utilizadas em suas produções materiais e imateriais? Mesmo que seu curso não tenha relação direta com seu trabalho atual, ela aplicará o que está discutindo, os saberes que está construindo. Aliás, me pergunto se ao escrever este texto, em uma tarde de “suposta folga”, por pura vontade de me expressar, se estou trabalhando ou não?

Neste sentido, vejo duas coisas muito relevantes que Pochmann também aponta. A riqueza das empresas está cada vez maior, também e principalmente graças a esta apropriação da vida das pessoas, dos seus colaboradores. É quase o que eu poderia chamar de “biotrabalho” em uma clara alusão ao conceito de “biopoder” de Hardt e Negri. Sendo assim é preciso repensar os conceitos de trabalho e reduzir a sua jornada drasticamente, pelo menos enquanto este tipo de regulação existir (de uma jornada de trabalho com horários a serem cumpridos).

Enfim, Pochmann aponta não mais para uma classe trabalhadora, mas sim para uma “multidão de trabalhadores” (novamente me socorrendo dos conceitos de Negri e Hardt sobre multidão). Multidão de trabalhadores esta que é capaz de produzir muito mais com muito menos recursos, que é capaz de se autogovernar e controlar-se, porém cujos objetivos e resultados das suas ações, das suas produções, não se sabe se nos levará a algo novo, positivo ou emancipador, ou à reprodução das relações de trabalho que temos hoje, precarizadas, de uma forma ainda mais perversa, ameaçando a sustentabilidade do planeta inclusive. A “multidão” e a “multidão de trabalhadores” são imprevisíveis e colocam em xeque os paradigmas atuais nas mais diferentes dimensões, inclusive no que tange ao trabalho.
Postado por Lucas Henrique da Luz – lhluz@unisinos.br

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Yoñlu. Herança impressionante de uma mente genial

No último domingo recebi o CD Yoñlu. Desde então o ouvi repetidas vezes e subscrevo o comentário de Juarez Fonseca:“Você vai ouvindo o disco e fica difícil acreditar que um garoto de 16 anos, sozinho no quarto, possa ter feito tudo isto. De onde, com essa idade, ele tirou tanta informação e formação para compor, fazer arranjos e tocar assim tantos instrumentos?”.

Mais perguntas:

“Como conseguia cantar a um só para ele diante de uma multidão virtual e ao mesmo tempo mostrar-se a essa multidão com a segurança de quem está absolutamente só?”

O CD manifesta uma sensibilidade e uma delicadeza impressionantes.

Vinícius Gageiro Marques, cujo nome artístico era Yoñlu, no inverno de 2006, tirou a própria vida. O suicídio foi amplamente abordado na época e, mais recentemente, pela revista Época, pois teve envolvimento decisivo da internet em seu planejamento e execução. O adolescente teve dicas sobre a maneira que desejava morrer em um grupo de discussão na rede.

A seleção e a organização do CD são de Luiz Marques, professor universitário, pai de Vinícius. A mãe é psicanalista.

O CD é da Allegro Discos – www.alegrodiscos.com.br

A revista Noize, março de 2008, informa que está sendo preparado também um lançamento internacional de um álbum de Yoñlu. Segundo a revista, “a versão deverá conter 14 faixas, das quais pelo menos duas não estão presentes no disco brasileiro”.

A revista conclui:

“Infelizmente, o autor, tal como os gênios de diversos tipos de manifestação artística, não terá a oportunidade de assistir ao reconhecimento do próprio trabalho”.

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O grito da Amazônia e da Providência !

No grito da Amazônia, da floresta e dos índigenas, o que é necessário descobrir? Faz sentido falar da Providência? Como entendê-la, para que seja vida e não indiferença? Leia o comentário do Evangelho desta semana.

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Terra Indígena Raposa Serra do Sol. A opinião dos/as internautas

Está no ar, neste sítio, uma enquete sobre a demarcação contínua da terra indígena Raposa Serra do Sol. Ela tem possibilitado um debate interessante.Ivo Poletto pergunta:

“Que direito ainda teríamos nós, não-indígenas, históricos usurpadores de seus terras, de impedir que os povos ancestrais tenham um território em que possam viver com suas culturas e suas tradições políticas e jurídicas? Afinal, não caberia a eles o direito de como deveria ser o Brasíl?”

E afirma:

“Creio que em toda a América Latina os povos indígenas estão sendo o que há de mais renovador em termos de política e de um tipo de desenvolvimento adequado aos tempos atuais, marcados pelo aquecimento do Planeta provocado pelo desenvolvimentismo capitalista de mercado. Ou será que preferimos seguir pelo caminho que nos levará à morte?”

Por sua vez, Leila Iinês Nonnemacher opina que “estão diminuindo cada vez mais o território indígena. E para que isso? Ainda se fosse por uma boa boa causa…Provavelmente vai ser para desmatarem, queimarem toda e qualquer espécie que possa existir no local, e doarem a um bando de pessoas que se dizem “sem-terras”, construirem suas casas e viverem às custas do governo, ou melhor, às nossas custas, por muito tempo”.

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